Opinião
Cruzar, sincronizar ou unificar?
| André W Carneiro * Cruzar, sincronizar ou unificar o quê? Falo de cadastros, de base de dados. Estão lembrados das fichas utilizadas nas locadoras de vídeo, onde se preenchia os nossos dados ? nome, endereço... ?, dos caderninhos das mercearias onde se anotava o fiado, pois bem, esses fichários estão sendo digitalizados. A questão é que o Brasil vem tratando a sua informação de forma isolada. Cada ministério, secretaria estadual/municipal, órgão está investindo para informatizar os seus fichários. Em função dessa miscelânea de cadastros resta ao governo cruzar e sincronizar. Citarei dois exemplos dessa prática: A Previdência Social, na tentativa de expurgar as pessoas que recebem o benefício ilegalmente, cruzará o seu fichário com outras fontes de informação ? bancos, Sistema Único de Saúde, Incra, Receita Federal e Justiça Eleitoral ?, ou seja, pesquisará em outros fichários informações que inviabilizem a condição de aposentado. Em relação a sincronizar, cito o Projeto Cadastro Sincronizado Nacional. Os administradores tributários ao perceberem que as informações referentes às empresas ? nome, endereço, atividade, sócios, patrimônio, capital social... ? contidas nos fichários dos vários órgãos/esferas do poder público eram divergentes, resolveram sincronizá-las. Na teoria, se um município descobrir que a empresa mudou de endereço, por exemplo, deverá corrigir essa informação em todas as suas fichas ? de todas as secretarias/órgãos municipais ? e avisar o Estado e o governo federal para que executem o mesmo procedimento. A informatização dessas fichas, assim como cruzar e sincronizar, tem seu custo, que se modifica dependendo da quantidade de fichários e de fichas, da qualidade e quantidade dos dados contidos nas fichas, ou seja, o tamanho do projeto poderá requisitar melhores computadores, sistemas, conexões, requisitos de segurança... consequentemente de mais recursos. Não seria mais produtivo e menos oneroso, se ao contrário de tentarmos cruzar e sincronizar as bases de dados espalhadas pelo Brasil que as unificássemos, ou seja, que tivéssemos apenas uma ficha e que cada ministério, secretaria, órgão, empresa, dentro de sua competência, fizesse as consultas, os cadastramentos e as alterações necessárias? Eu acho que sim! Mas achar é subjetivo. Precisamos sim é elaborar, de uma forma democrática e transparente, o planejamento estratégico da informação brasileira. (*) É analista de Sistemas de Informação.