Opinião
Vida longa
| Elaine Pimentel * Sempre que alguém celebra mais um ano de vida, são comuns os votos de felicidade, saúde e de uma vida longa, expressos no desejo de que aquela data se repita por muitos e muitos anos. Porém, viver dignamente e de forma saudável por muito tempo é um privilégio de poucos. Há aqueles que vivem muito e são amados pela família, pelos amigos e mesmo por desconhecidos que se emocionam diante de uma pessoa idosa, de cabelinhos brancos, pele sulcada pelos anos de experiência e cujos passos já não são tão firmes quanto o eram outrora. Esses podem se considerar felizes, pois alcançaram, no final da caminhada, um reconhecimento muito especial pelos anos vividos. No entanto, nem todos têm a mesma sorte. Há milhares de pessoas idosas espalhadas por todo o Brasil e pelo mundo que vivem em absoluto estado de carência. Não somente passam por privações de natureza material, como fome e falta de higiene, mas, sobretudo, pela solidão. Às vezes, o abandono que um idoso vive em seu próprio lar é tão intenso, que ele chega mesmo a desejar que estivesse em um asilo, onde encontraria acolhida de outras pessoas que vivem experiências semelhantes. (*) É professora da Ufal. ///