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Nº 5730
Opinião

Estagi�rio – sat�lite em torno de um organograma

| Benedito Ramos * Ainda hoje vemos em programas de humor o estagiário virar tema de esquetes. Tratado, geralmente, como o último da fila e fora do organograma, o estagiário é o “boi de piranha”, o pole position, para enfrentar um público irado ou outras

Por | Edição do dia 06/04/2006 - Matéria atualizada em 06/04/2006 às 00h00

| Benedito Ramos * Ainda hoje vemos em programas de humor o estagiário virar tema de esquetes. Tratado, geralmente, como o último da fila e fora do organograma, o estagiário é o “boi de piranha”, o pole position, para enfrentar um público irado ou outras coisas do gênero. A pior parte que lhe cabe no “latifúndio” desta vida “severina” do primeiro emprego, como diria João Cabral de Mello Neto. Mas quantas vezes não encontramos em repartições bisonhas, de gente amuada, com raiva do mundo, o sorriso e a eficiência de um estagiário gentil que nos surpreende com cordialidade e atenção? Sem falar, das queixas ou mesmo impropérios que recebe sem refluxos de mau humor, inda externando um sorriso afetuoso que desmonta a ira, do contribuinte, do usuário, do cliente, do paciente, do assinante e de qualquer um raivoso. E a decepção final do queixoso, que mesmo ainda bicudo se rende ao desvelo e pergunta o cargo do atendente. A resposta é como água sobre a chama acesa: sou estagiário. Mas o que é o estagiário? O que ele representa, neste universo onde é apenas um satélite girando em torno de um organograma? Um auxiliar de vida curta que mal entenderá a política administrativa do local de trabalho. Quanta resistência encontra pela natureza efêmera do seu cargo? “O tempo é muito curto para ensinar”. “Quando aprender é hora de ir embora”. E passa a ser um estorvo. Às vezes, é amplamente ignorado, como são as copeiras, os serviçais, os contínuos e os ascensoristas, pessoas invisíveis dentro de algumas repartições. (*) É crítico de arte. ///

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