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Nº 5730
Opinião

Semana Santa

| Dom José Carlos Melo, CM * Com a liturgia de Ramos, que nos evoca a solene entrada de Jesus em Jerusalém, aclamado Filho de Davi e Rei do Universo, iniciamos hoje a Semana Santa. Intitulada pela tradição da Igreja como Semana Maior, ela nos conduz ao m

Por | Edição do dia 09/04/2006 - Matéria atualizada em 09/04/2006 às 00h00

| Dom José Carlos Melo, CM * Com a liturgia de Ramos, que nos evoca a solene entrada de Jesus em Jerusalém, aclamado Filho de Davi e Rei do Universo, iniciamos hoje a Semana Santa. Intitulada pela tradição da Igreja como Semana Maior, ela nos conduz ao mistério da paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na Sexta-Feira Santa, a liturgia nos convida, não a um luto e pranto meramente emocional, mas a uma amorosa contemplação do sacrifício de Cristo em sua morte na cruz. Não se trata de um funeral, mas a celebração eloqüente da morte vitoriosa do Senhor, como exclamou o evangelista João: “Ele me amou e se entregou por mim”. Por isso, a liturgia fala da “bem-aventurada” e “gloriosa” paixão. Ela compreende três partes: A liturgia da palavra, a adoração da cruz, quando a Igreja, apelando para os merecimentos de Cristo, reza por todos os homens e, finalmente, a sagrada comunhão. No Sábado Santo, a Igreja fica parada perto do sepulcro, onde contemplamos a solidariedade de Jesus, morto na cruz, com todos os homens mortos. Nesse dia, a Igreja se abstém de celebrar o sacrifício da missa e os demais sacramentos. Ao mesmo tempo, limita-se em recordar esse aspecto na liturgia das horas com toda a assembléia. Esse momento é afirmado na profissão de fé ou símbolo apostólico que aprendemos desde nossa infância: “Foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos”. O Domingo da Ressurreição é celebrado na vigília pascal. Poucas celebrações litúrgicas contêm tanta riqueza de conteúdo, espiritualidade e de simbolismo como a vigília pascal. Ela é o centro de todo ano litúrgico do qual se irradiam todas as outras celebrações que culminam com a oferta do sacrifício pascal de Cristo. Nessa Noite Santa, a Igreja celebra, de modo sacramental mais pleno, a obra da redenção e de perfeita glorificação de Deus, como memória, presença e expectativa. A primeira parte da vigília celebra a luz, porque Cristo, especialmente com a sua ressurreição, é a luz do mundo simbolizado no Círio Pascal. Com a solene celebração da palavra, acentua-se na história da salvação o papel de Cristo, palavra do Pai, luz da verdade. Também a liturgia batismal com a bênção e aspersão da água nos relembra que Cristo é a fonte da água viva que jorra para a vida eterna. Enfim, neste ano dedicado à eucaristia compreendamos que a celebração eucarística nos faz reviver Cristo como nossa Páscoa, Cordeiro imolado e glorificado. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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