Opinião
Sangue na rua - Editorial
A horrível tragédia que levantou o conjunto habitacional Benedito Bentes deve ser entendida como um grave alerta às autoridades alagoanas. Numa conjuntura delicada, na qual despontam incontáveis problemas no horizonte da segurança pública, donde a população anseia por apoio, solidariedade e profissionalismo de sua polícia, cenas como essas representam um enorme retrocesso. Incontáveis são as gangues que infernizam a vida da população, flagelando particularmente as áreas de moradia mais populares (como o Benedito Bentes). A cada dia, aumentam as cobranças por mais policiais nas ruas, por uma polícia mais equipada e bem mais remunerada ? esses são os clamores do povo acossado por bandidos de toda espécie. A última coisa que a população atemorizada deseja é também ser vítima da polícia. As autoridades públicas estão chamadas a dar uma resposta exemplar para a tragédia do Conjunto Benedito Bentes. Precisamos de um exemplo indelével para que se reafirmem as responsabilidades dos homens e mulheres remunerados e armados pela sociedade para defender a própria sociedade. Precisamos de um exemplo indiscutível para que a população recupere a confiança nos homens e mulheres destacados para defender a própria população. A Polícia Militar de Alagoas precisa dar um exemplo capaz de honrar a sua própria história centenária, uma história que não tem lugar para bandidos e assassinos. Infelizmente, existem locais no Brasil onde incursões de forças policiais em áreas populosas das periferias têm provocado tragédias ainda maiores (como recorrentes execuções de moradores inocentes nas favelas cariocas). Por enquanto, uma ocorrência como a tragédia do Benedito Bentes é um acontecimento isolado, mas o alerta está dado e cobra tolerância zero para evitar a generalização de um terrível exemplo.