Opinião
Cr�nica para Ninita
| Lysette Lyra * Voltando de uma viagem encantadora a Nassau, nas Bahamas, onde assisti aos festejos das bodas do jovem Arnon de Mello Neto com Joana de Almeida Braga, e a New York, cidade de mil encantos, chegando a Maceió, tive a triste notícia do falecimento de minha muito querida amiga Maria Hermínia Lins da Rosa Oiticica, a Ninita para os íntimos. Apesar de tê-la deixado num lamentável estado de saúde, sem muitas esperanças de cura, a notícia me chocou, sobretudo uma grande saudade tomou conta de meus sentimentos. Aquela Ninita alegre, disposta, inteligente, amante das viagens, dos teatros, da música; companheira, entre outros momentos divertidos, de um joguinho semanal de biriba, disputado entre alegrias, e, às vezes, entre briguinhas sem conseqüências! Casamenteira que só, adorava unir os solteiros para uma vida a dois! Culta e viajada, deixou dois belos e interessantes livros de viagens, cujos prefácios eu tive a honra de redigir. Conhecia Ninita há 63 anos. A família Oiticica, além de ser aparentada de meu marido pelo lado materno, foi das primeiras amizades que fizeram parte da minha vida em Alagoas. Muitas viagens fiz com os membros desse clã simpático, sobretudo com Maria Hermínia, pois tínhamos muitas afinidades. Admirava sua capacidade de trabalho e a maneira com que educou seus filhos. Seu ar matriarcal conseguia unir sempre a família em torno de si. Era uma amiga leal e amável, apreciando que, nos seus momentos de prazer, aqueles de quem gostava estivessem sempre presentes. Companheira agradável tinha sempre uma história engraçada para nos fazer rir. Bela, jovem, casou-se com o primo Barnabé. Com ele teve cinco filhos, sendo os únicos homens, gêmeos, mas somente um deles sobreviveu, o Cristóvão. Solteiro por muito tempo, para preocupação da mamãe, cupido por inclinação. Enfim encontrou, na simpática Fátima, a sua cara-metade. Ninita adorava todos os seus descendentes e os que entravam para a linhagem. Com justiça e devoção comentava o talento das filhas e netos e as graças dos bisnetos! Em todas as famílias há sempre momentos de angústias e desesperos. Dificilmente atravessamos a vida somente contabilizando alegrias. Ninita e Barnabé, também tiveram os seus. Talvez isso tenha apressado o fim de suas vidas. Ele há dois anos partiu. O modo de ser de minha amiga mudou bastante. Além do mais, o mal que a vitimou foi traiçoeiro e rápido e ela também se foi. Se existe céu devem ter se reencontrado lá e, quem sabe, estejam felizes outra vez. Mas deixaram muitas saudades! (*) É escritora.