Opinião
Ensinar cidadania � ultrapassar as grades curriculares
| Enio Moraes Júnior * Ser cidadão não é apenas pertencer a uma nação, mas ter consciência de fazer parte do destino do mundo e, por isso, ter compromissos e responsabilidades com ele, seja em seus aspectos polícias, sociais ou ambientais. Embora possa ser discutida e estimulada no espaço familiar, nas relações sociais, pelos veículos de comunicação, a cidadania tem na escola um importante campo de discussão. No caso específico da formação superior do jornalista, embora os currículos universitários contemplem o assunto e conceitos correlatos como direitos humanos, democracia, ética e responsabilidade social, um dos aportes mais importantes da formação cidadã está na relação que os professores estabelecem com os alunos. Foi isso que revelou a pesquisa que resultou na dissertação de mestrado A formação cidadã do jornalista no Brasil, que acabo de concluir na Escola de Comunicações e Artes - ECA - da Universidade de São Paulo. O estudo de caso da formação de estudantes de Jornalismo da ECA indicou que cidadania é mais que um conteúdo a ser ensinado curricularmente. O cientista norte-americano Carl Rogers, que em suas pesquisas uniu psicologia e educação, já falava, nos anos 60 do século passado, sobre o ensino centrado no estudante. Para ele, o aluno não poderia ser visto pelo professor como um copo vazio. Com uma clara sintonia com o pensamento de Paulo Freire, a educação rogeriana potencializa os conhecimentos e as experiências do educando. Tanto para Freire como para Rogers, o docente não pode ser um mero instrumento de aplicação do currículo, mas um sujeito ativo e coerente com o que ensina e comprometido com um projeto de formação que respeita o educando. A educação tomada nesse sentido tem potencializado a formação de jornalistas comprometidos com os direitos humanos e, sobretudo, responsáveis por sua formação e por sua carreira. Se para Freire, a educação é elemento fundamental para a libertação de cada indivíduo e, para Rogers, ela é essencial na potencialização de cada educando, tratando especificamente do caso específico do Jornalismo, Manuel Carlos Chaparro, da USP, conclui que uma boa formação une à técnica uma sólida base humanística e, portanto, compromisso e respeito por si e pelo outro. A pesquisa A formação cidadã do jornalista no Brasil aponta que essa ação começa em sala de aula como compromisso do professor e é imprescindível para o papel cidadão que o jornalista passa a atribuir a sua profissão. (*) É jornalista.