Opinião
Turismo natural - Editorial
Em nossa edição de anteontem um dos destaques da pauta dominical foi o crescimento do chamado turismo rural e/ou turismo ecológico. Na verdade, os dois nichos poderiam ser distintos, mas ao fim e ao cabo, unem-se quando os usuários desse filão são unânimes em apreciar a natureza. Vários empreendimentos desse tipo, em Alagoas, estreitam as ligações entre os equipamentos rurais (currais, estrebarias, cozinhas típicas, lagoas para pesca, casas-grandes...) às reservas (heroicamente sobreviventes) de Mata Atlântica. Felizmente, os projetos para esse segmento já deixam as gavetas e o mundo dos sonhos e estão sendo convertidos em realidade, gerando empregos e renda. As primeiras experiências de sucesso em termos de hotéis-fazendas estão localizadas majoritariamente na área da Zona da Mata e nas proximidades do litoral. Trilham um caminho óbvio e promissor. Mas não é a única rota para o sucesso desse segmento em Alagoas. Quem tiver paciência e disposição para apostar no Sertão (o início mais óbvio seria no entorno do cânion do São Francisco) poderá acertar na mesma direção onde Delmiro Gouveia acertou há quase um século. Para onde sejam orientadas pousadas e hotéis-fazendas existirão grandes possibilidades de sucesso, graças ao potencial natural alagoano. O relativamente pequeno tamanho do Estado é uma ajuda a mais, pois as distâncias são proporcionalmente diminutas, facilitando a ligação entre nichos ecológicos bem diferenciados, como as dunas do Pontal do Peba e as serras de Água Branca. A urgência está na realização de obras de infra-estrutura que resultem em estradas mais seguras, que restaurem a viabilidade do trecho hidroviário entre Piaçabuçu e Piranhas e que pequenos aeroportos possam funcionar nos quatro cantos do Estado. No mais, a natureza já fez a sua parte.