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Nº 5735
Opinião

S�ndrome de Caim

| Mario Jucá * Há na literatura várias interpretações para a chamada Síndrome de Caim. Margareth Jucá tem uma tese de mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte sobre a Psicopedagogia e a dita síndrome. Não tem o mesmo contexto da nossa visã

Por | Edição do dia 20/04/2006 - Matéria atualizada em 20/04/2006 às 00h00

| Mario Jucá * Há na literatura várias interpretações para a chamada Síndrome de Caim. Margareth Jucá tem uma tese de mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte sobre a Psicopedagogia e a dita síndrome. Não tem o mesmo contexto da nossa visão especificamente, embora a autora descreva a síndrome como um processo de frustração que não deixa de ser um dos seus elementos. Apesar do sobrenome não tenho o privilégio de conhecê-la. Para nós, Síndrome de Caim é sinônimo do sentimento de inveja que o indivíduo possui e é capaz de levar até a morte do alvo. A morte de Abel, irmão de Caim por ciúmes de Caim, diante da preferência de Deus pelo sacrifício de Abel, retratada claramente o primeiro ato de violência e assassinato da história da humanidade. Caim e Abel eram os primeiros filhos de Eva e Adão; e por que Caim matou? Impossibilidade de conviver com o seu fracasso? Ódio incontrolável? Sentimento pré-meditado e embebido de muita inveja? Agora, sim, chegamos à verdadeira interpretação do que aconteceu com os irmãos. Inveja; ela é um sentimento presente nos seres humanos, mas também comprovadamente em alguns animais. A Inveja pode ter suas faces manifestas, uma em que o ter é o objeto desencadeante do sentimento. Pois bem, o indivíduo queria ter um carro, uma casa, um emprego semelhante a do indivíduo alvo. No entanto outra face é a pior, sob minha visão, que é a inveja do ser. A inveja do ser deixa o indivíduo cego, não enxerga mais nada apenas a imagem consciente de destruição do alvo. Esse sentimento faz com que a pessoa fique sempre preocupada com o outro, esquecendo se suas oportunidades e de seu ciclo de vida, passa a ciclar como copiada da imagem de vida do alvo. Passa a ser indiscutivelmente infeliz. E é a principal causa dos fracassos das pessoas que a cultivam, eis a relação psicopedagógica, a que nos referimos no início deste artigo. Veja a transposição do modelo sindrômico para a situação política que o País se encontra: o PT sempre acha um culpado pelo seu fracasso em outras pessoas e nunca dentro de si mesmo. E por isso continua com os mesmos discursos da década de 70 mesmo às portas do século 21. Sua inveja levou ao poder e não o seu idealismo, pois o erário público foi dilapidado e não negociatas de tráfico de influências como eram vistas em governos anteriores. O dinheiro público que era o alvo da crítica, tornou-se o milho da galinha do partido, que conseguiu saciar-se abundantemente. (*) É médico, escritor e professor da Ufal.

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