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Nº 5730
Opinião

Circos e palha�os

| Ronald Mendonça * Não faz muito tempo, um colega médico, pondo em risco sua reputação, descuidou-se da ética assinando um atestado de óbito “em confiança”. A morte do cidadão - um idoso cheio de achaques – tendo ocorrido na própria residência, indicand

Por | Edição do dia 22/04/2006 - Matéria atualizada em 22/04/2006 às 00h00

| Ronald Mendonça * Não faz muito tempo, um colega médico, pondo em risco sua reputação, descuidou-se da ética assinando um atestado de óbito “em confiança”. A morte do cidadão - um idoso cheio de achaques – tendo ocorrido na própria residência, indicando a causa natural (doença) como agente, até certo ponto justificaria a transgressão. Criticável sob todos os ângulos, a mancada passaria despercebida não fora por um aspecto: a suspeita de envenenamento. Durante alguns dias o presumível infrator viraria saco de pancada da mídia. Estimado clínico geral numa cidade vizinha, viu-se isolado pelos pares, culminando com a perda do emprego no PSF. A opinião pública e os poderes constituídos não costumam ser generosos com supostos desvios de conduta dos esculápios. Mesma sina parece não acompanhar nossos nobres representantes. Embora aparentemente revoltados com a classe política, que não se envergonha em ser pior a cada lustro, o julgamento dos eleitores na hora do voto perde o rigor, como se um apagão momentâneo os acometesse, fazendo-os votar nos mesmos vagabundos – até por falta de opções. O atual patamar de Lula é o exemplo maior. Até o início do ano passado o governo se arrastava. De repente, justamente a partir da exibição de uma fita mostrando um graduado funcionário dos Correios recebendo propina, viu-se que executivo e legislativo faziam amor em mar de lama. Paradoxalmente, as pesquisas demonstram que Lula reproduz-se no lodo. CPIs ajudaram a dar nomes aos bois. Aquela gente que atuava nos bastidores do PT, mais ou menos desconhecida, revelou-se de uma periculosidade impressionante. Com ramificações em quase todos os Estados, a essa altura poucos políticos, entre petistas e apaniguados, podem jurar completa inocência. Daqui a pouco todos estarão reeleitos. Mas as grandes estrelas nos circos das CPIs, por mais que um Roberto Jefferson lançasse demolidores olhares soturnos, foram os brilhantes advogados de defesa. Eminências pardas, argutos, eram os maestros de roucas sinfonias. Nesse aspecto, o depoimento de Duda Mendonça foi um primor: “Desculpe, meu advogado disse para eu não falar”. Hoje na berlinda, o causídico que foi flagrado mandando Suzane Richthofen chorar para as câmeras da Globo estaria na mira da OAB. Independente de qualquer simulacro, o veredicto popular já foi dado: na hora H, a platéia vai atrás mesmo é de um bom advogado circense. (*) É médico e professor da Ufal.

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