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Nº 5715
Opinião

Universidade e sa�de

ÁLVARO ANTÔNIO MACHADO * A Saúde é um produto social e, como tal, para ser plenamente alcançado, requer a adoção simultânea de políticas externas ao setor, que interfiram nos determinantes sociais do processo saúde–doença das coletividades, tais como as

Por | Edição do dia 23/05/2002 - Matéria atualizada em 23/05/2002 às 00h00

ÁLVARO ANTÔNIO MACHADO * A Saúde é um produto social e, como tal, para ser plenamente alcançado, requer a adoção simultânea de políticas externas ao setor, que interfiram nos determinantes sociais do processo saúde–doença das coletividades, tais como as políticas macroeconômicas e as relativas ao emprego, à habitação, à educação, ao transporte, ao lazer etc. Por razões diversas, as universidades brasileiras voltam a discutir a questão da extensão universitária. Com o objetivo de colaborar nesse sentido, fazemos, aqui, uma abordagem acerca do papel esperado da universidade, no contexto das suas atividades de extensão relacionadas ao setor Saúde. Não nos referimos ao tradicional setor Saúde, isolado, e sim ao setor de Saúde que todos têm a ver, ou seja, aquele que propicia às pessoas uma rede de assistência integral à saúde, associada à adoção de políticas públicas diretamente relacionadas com a condição de saúde de cada um e de todos os brasileiros. Nessa intersetorialidade se insere a universidade, sobretudo a universidade pública, que deve fomentar uma nova cultura intervencionista, baseada no fortalecimento das ações intersetoriais, visando à criação das condições indispensáveis à promoção, proteção e recuperação da saúde em seu sentido pleno. Essa nova cultura, ao lidar com algo tão amplo e, por vezes, tão complexo, que é a adoção de políticas públicas numa visão de desenvolvimento integral, exige hoje da universidade um papel que lhe é peculiar: a recomposição da democracia brasileira. Democracia não apenas como termo para distinguir uma forma de governo, mas enquanto espaço de construção do novo a partir da diversidade. Nessa direção, a universidade deve retomar a idéia de que as diversidades não são pontos de antagonismos irreconciliáveis, mas são, dialeticamente, pontos de criação de novas realidades a serem experimentadas e desenvolvidas. Essa exigência atualíssima se faz para que o processo requerido não ocorra sem a devida reflexão da comunidade acadêmica, o que seria lamentável, pois o País correria o risco de repetir o modelo anterior, no qual as divergências eram motivo de eliminação dos contrários e não de sua síntese. O Sistema Único de Saúde – SUS – possui uma diretriz essencial, que é a participação comunitária, exigida nas formas de organização do Sistema em todas as esferas de governo. Nisso destaca-se um importante papel da universidade, no tocante as suas atividades de extensão no campo da saúde, ou seja, contribuir para a democratização do conhecimento crítico acerca do nosso Sistema Único de Saúde, capacitando as lideranças municipais, apoiando tecnicamente os segmentos organizados da sociedade e propiciando, por esses mecanismos, que a população adquira o necessário vínculo com o Sistema. (*) É SECRETÁRIO ESTADUAL DA SAÚDE

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