Opinião
Ponto cardeal - Editorial
Arcebispo aposentado de Milão (Itália), o cardeal Carlo Maria Martini foi destaque na mídia em todo o mundo graças a um artigo publicado, anteontem, na revista italiana L?Espresso. As opiniões do religioso ? considerado um dos nomes mais proeminentes da Igreja Católica, inclusive tendo sido um dos cotados para o trono de São Pedro, no último conclave ? prometem gerar muita discussão. O cardeal Martini, com seu gesto, abre uma série de perspectivas alvissareiras para ajustes nas orientações da Igreja para seus fiéis, num tema de essencial importância. Defende o cardeal Martini que os casais devidamente casados possam usar preservativos artificiais para se prevenir da Aids e demais doenças sexualmente transmissíveis. É a primeira vez que alguém de tal relevância emite esse tipo de opinião, oferecendo um alento a milhões que seguem fielmente as indicações da Santa Igreja. Muitos grupos de católicos, em todo o mundo, têm apelado para que a rígida oposição da Igreja acerca da questão do uso de preservativos seja reconsiderada e grupos apresentam fortes argumentos como o terrível crescimento da contaminação da Aids por quase todo o continente africano. Não se pode esperar mudanças na orientação da Igreja num curto espaço de tempo, pois as atuais posições são respaldadas pela grande maioria dos teólogos contemporâneos e o próprio papa Bento XVI é firme defensor da condenação do uso de preservativos. As diretivas da Igreja Católica são referências basilares para milhões de almas em todos os cantos do planeta e embora não se possa imaginar mudanças bruscas de rumo nesse campo, qualquer nova abordagem sobre questões contemporâneas vitais tem um imenso impacto. Assim, a fala do cardeal Carlo Maria Martini ? com a graça de Deus ? deverá pautar muitos debates, muitas polêmicas, em todo o globo. Que daí brotem resultados iluminados.