Opinião
Um ano de papa
| Dom José Carlos Melo, CM * O mundo inteiro parou no dia 02 de abril de 2005, com a morte do saudoso papa João Paulo II. A expectativa para a eleição do novo papa era muito grande, partia de um questionamento: no mundo atual cheio de grandes desafios, quem terá a capacidade de substituir o papa João Paulo II. Não poderemos nunca duvidar dos planos de Deus. Aparecendo na sacada da Basílica de São Pedro, o mundo inteiro se surpreendeu com a escolha do cardeal Joseph Ratzinger, que a mais de 20 anos estava à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, cargo que exige atitudes firmes, porque é o setor da Igreja que tem o objetivo de salvaguardar a integridade da tradição e do magistério da Igreja. Com a escolha do nome Bento XVI, o novo papa, tido por alguns como extremamente conservador, surpreendeu a multidão que estava na Praça de São Pedro com as seguintes palavras: ?Queridos irmãos e irmãs, após o grande papa João Paulo II, os senhores Cardeais elegeram-me, um humilde e simples operário da Vinha do Senhor. Consola-me saber que Deus sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes. E antes de tudo, conto com vossas orações. Na alegria do Senhor Ressuscitado, confiantes em seu permanente auxílio, devemos seguir adiante. O Senhor nos ajudará, e Maria, sua Mãe, estará conosco?. Com essas palavras compreendemos seus gestos de sabedoria e humildade manifestados nas mais diversas ocasiões. Poderemos citá-las como exemplo de vida, algumas provas da humildade do papa Bento XVI: Em junho, visitou o Quirinal, palácio de os papas haviam sido expulsos em 1870 e ao qual faziam questão de nunca por os pés, o papa Bento quebrou a tradição. Visitou o presidente da Itália laica e secularizada para louvar a ?sadia laicidade? do Estado, como diz textualmente, antecipando seus ensinamentos sobre a Igreja e a Política, encerrados em sua primeira encíclica ?Deus Caritas est?. O papa Bento, com sua primeira encíclica, nos deixa uma das maiores verdades sobre o amor de Deus por nós, quando afirma: ?O amor, de fato, não é encontrado já belo e pronto, mas cresce. Por assim dizer, nós podemos aprendê-lo lentamente, de maneira que envolva sempre mais todas as nossas forças e nos abra o caminho para uma vida reta?. Que possamos amar e rezar por nosso pontífice, para que o Senhor o conceda firme e perseverante em sua missão, fazendo sempre valer as palavra da homilia do início do seu Ministério Petrino: ?Apascentar significa amar, e amar quer dizer estar pronto para sofrer e dar às ovelhas o verdadeiro bem?. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.