Opinião
Deo gratias - Editorial
Graças a Deus, a Santa Sé demonstra estar com ouvidos bem abertos e a voz do Cardeal Martini está gerando eco positivo, pois, ontem, a mídia divulgou que o papa Bento XVI encomendou ao Conselho de Saúde do Vaticano estudo sobre o uso do preservativo artificial. Como se sabe, o Vaticano condena radicalmente o uso de quaisquer contraceptivos, mesmo que seja para evitar a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis (inclusive o vírus HIV) até entre parceiros casados. Até hoje, a Igreja Católica autoriza apenas a abstinência sexual como método contraceptivo e de prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, o que tem produzido muitas críticas. No ano passado, as estatísticas indicam que morreram três milhões de pessoas em decorrência da contaminação pelo vírus HIV e, ponderam os profissionais e voluntários nessa guerra pela vida, que se a Santa Sé adotasse uma posição menos rígida nessa questão, muitos fiéis católicos poderiam ser salvos, particularmente nos países mais pobres. Como se sabe, católicos mais esclarecidos e/ou de melhor condição social tendem a desconsiderar a proibição formal e utilizam preservativos à larga; mas populações mais pobres tendem a cumprir mais à risca a essas determinações, assim como os missionários empenhados no esforço de evangelização e/ou ação social. Por exemplo, grande parte dos óbitos por Aids está concentrado na África subsaariana, região paupérrima na qual os missionários católicos têm destacada presença. Assim, mutatis mutandi, a Igreja Católica poderá contribuir decisivamente para com o esforço global no combate às doenças sexualmente transmissíveis e a Aids. Felizmente, conforme esperança manifesta no editorial anterior, a fala do cardeal Carlo Maria Martini (defendendo o uso do preservativo artificial) anuncia resultados iluminados.