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Nº 5736
Opinião

Combust�veis alternativos

| Humberto Martins * Todos os indicadores técnicos e econômicos sugerem que a produção de álcool, principalmente à base de cana, será, por muito tempo, atividade crescente no Brasil. Disponibilidade de terras, clima favorável, mão-de- obra barata, fatore

Por | Edição do dia 25/04/2006 - Matéria atualizada em 25/04/2006 às 00h00

| Humberto Martins * Todos os indicadores técnicos e econômicos sugerem que a produção de álcool, principalmente à base de cana, será, por muito tempo, atividade crescente no Brasil. Disponibilidade de terras, clima favorável, mão-de- obra barata, fatores ambientais positivos, controle e evolução tecnológicos e importância de se produzir combustível que não dependa da instabilidade do fornecimento externo de petróleo lastreiam essa tendência. É verdade que existem, no presente e no futuro, alguns obstáculos, no terreno tecnológico e econômico, que precisam ser considerados. Na área econômica, o aumento, em curto prazo, em todo comércio mundial, da demanda de álcool e açúcar, encarece internamente o preço do chamado combustível verde para níveis acima da possibilidade do consumidor, fazendo da gasolina produzida entre fronteiras uma opção mais rentável. Ainda na área econômica, a tributação dos carburantes, muito acima da média nas demais nações, trava uma comercialização mais ampla e embaraça os esforços para tornar o preço do álcool mais acessível. Em matéria de tecnologia, as nações ultradesenvolvidas, entre as quais o Japão, começam a testar outros tipos de combustível. Mas são opções que ainda estão distantes das linhas de montagem dos fabricantes de veículos, além dos custos serem considerados demasiadamente elevados. O fato é que a opção brasileira pelos combustíveis alternativos, principalmente o álcool, desencadeada no início da década de 70 do século passado, há portanto 35 anos vai de vento em popa, não devendo deixar de se mencionar o biodiesel, que dá agora seus primeiros passos. Ao contrário do que acontecia na primeira metade do século passado, quando o plantio da cana era feito, predominantemente, no Nordeste, o crescimento vertiginoso acontece agora no Sudeste. Produzindo já 60% do açúcar e do álcool brasileiros, o Estado de São Paulo deverá ter 89 novas usinas de cana-de-açúcar até 2010, segundo informações da Secretaria de Agricultura paulista. A ampliação da área plantada de cana ocorrerá nas regiões Oeste e Noroeste, pois nos municípios de Ribeirão Preto e adjacente já existe uma saturação. As chances do Nordeste e Norte voltarem a crescer, de maneira a poderem competir, novamente, com São Paulo, residem na probabilidade acentuada do preço da terra elevar-se naquele Estado. Em todo o Brasil, 440 milhões de toneladas de cana-de-açúcar devem ser colhidas na atual safra, 250 milhões em São Paulo. (*) É desembargador do TJ/AL.

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