Opinião
Tudo, menos publicit�rio
| Aloísio Alves * No ano passado, a publicidade brasileira vivenciou fatos que deixaram marcas. Poderiam ter sido desastrosas para a categoria, não fora a rápida intervenção da Abap ? Associação Brasileira de Agências de Publicidade - que buscou imediata transparência na apuração das denúncias, oferecendo elementos que contribuíssem na apuração de tanta mazela. Por meio da imprensa, na forma de anúncios, manifestou sua indignação contra o uso de agências de publicidade como instrumento de corrupção. Foi ao Tribunal de Contas da União, com iniciativa própria, para oferecer recursos técnicos para a investigação de possíveis atos ilícitos no negócio da propaganda. O cara que provocou tudo isso pode ser chamado de tudo: trambiqueiro, trapaceiro, lobista, traficante de influência, qualquer adjetivo que alguém quiser lhe conferir, menos publicitários. Por Deus, esse desqualificado não fala a linguagem da propaganda, não entende nada de publicidade, deixou claro nos seus depoimentos nas CPIs, que desconhece literalmente os fundamentos básicos da comunicação publicitária. O tal Marcos Valério é apenas um corrupto nascido desse imenso criatório de corruptos e corruptores que proliferam todos os dias pelos corredores das instituições em Brasília. A Abap entende que a publicidade brasileira tem a responsabilidade de garantir a liberdade e a independência de imprensa, porque um País para ser livre, deve ter uma indústria da comunicação independente dos favores do Estado. Não há como ser profissionalmente eficiente, se não for politicamente correto. Foram esses princípios que selaram as relações da publicidade no Brasil, resultando na geração de uma das mais brilhantes indústrias publicitárias do mundo, com eficiência, criatividade e ética. A nossa entidade está assumindo um compromisso com a nação. O combate à corrupção é um postulado ético do qual os publicitários brasileiros não podem prescindir e para isso, vai apresentar um documento com sugestões para aperfeiçoar os processos de licitação das agências e a fiscalização na execução dos contratos. A Diretoria Executiva Nacional ouviu a opinião da mais representativa inteligência da publicidade brasileira. É preciso que guardemos a certeza de que ainda se pode sonhar com um país ético. É importante essa contribuição que a entidade máxima da propaganda dá à nação, para que haja mudança de critérios de seleção de agências nas licitações. Não vai eliminar as equações que manipulam as falcatruas nos bastidores das licitações públicas, mas, ajudará na transparência. Não vai colocar na cadeia os velhos e conhecidos guabirus das repúblicas espalhadas de norte a sul na República Mãe, mas, certamente dificultará novas investidas descaradas dos futuros filhotes de valérios, gushikens e delúbios. (*) É publicitário.