loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Os Bentos na hist�ria do papado (5)

Ouvir
Compartilhar

| Dom Edvaldo G. Amaral * Em 6 meses de conclave e 255 escrutínios (Bento XVI foi eleito no 2º dia, no 3º escrutínio), os cardeais escolheram como sucessor de Pedro, por unanimidade, em 17 de agosto de 1740, o card. Próspero Lambertini, de Bolonha, que tomou o nome de Bento XIV. Possuidor de grande erudição e habilidade pastoral, o que fazia como bispo preocupado com as necessidades dos pobres continuou como papa, visitando os bairros onde vivia a pobreza de Roma. Ficou famoso pelo modo de tratar com amabilidade as pessoas humildes. Vendo as dificuldades pelas quais passava o povo da Cidade Eterna, limitou as despesas da Cúria, diminuiu a criadagem e reduziu o soldo dos oficiais das tropas. Amante das letras e das artes, fez traduzir em italiano as obras mais significativas da literatura francesa e inglesa. No Ano Santo de 1750, erigiu no meio da arena do Coliseu uma grande cruz em memória dos mártires romanos. Reformou a Universidade La Sapienza, da qual fora reitor, instalando os cursos de Matemática, Química e Física. Fomentou o estudo da anatomia humana, com a criação de uma escola de cirurgia em Bolonha. Renovou a condenação da maçonaria, manifestando porém grande compreensão pelas idéias de seu tempo (o Século das Luzes) e procurou sempre adotar a severidade da disciplina eclesiástica a um novo espírito de tolerância para proteger a liberdade da pesquisa científica. Propugnou a liberdade de cada escritor exprimir suas próprias idéias, recomendando aos inquisidores do S. Ofício de, ao examinar seus livros, estarem isentos de preconceitos. Manteve correspondência epistolar com Catarina da Rússia e com vários pensadores descrentes, reconhecendo todos os homens como filhos de Deus. Empenhou-se em que os pregadores omitissem as tradicionais invectivas contra judeus e ateus. Pode-se hoje dizer que Bento XIV, dois séculos antes, foi verdadeiro precursor de João XXIII em seu diálogo com o mundo. Os anglicanos erigiram-lhe um monumento para ?o melhor dos pontífices?. Frente ao absolutismo dos soberanos que sustentavam o falso princípio da religião de Estado, diante do iluminismo que minava as bases do cristianismo e a descristianização do mundo intelectual, o papa Lambertini insistia na pregação popular para recuperação da base urbana e rural da Igreja. Bento XIII faleceu em 13 de maio de 1758, após quase 18 anos na Cátedra de Pedro, exercendo a missão petrina de ?confirmar seus irmãos na fé?. Pranteado em toda a Europa, foi o pastor que proclamou: ?Meu propósito é de não comparecer ao juízo de Deus réu de não ter feito todo o possível para a salvação das almas.? (Uma curiosidade - e talvez vaidade...: O card. Próspero Lambertini e o cardeal que o sagrou bispo em 1724 e depois foi também papa, Pedro Orsini de Gravina - Bento XIII - precedem-me na linhagem episcopal da sucessão apostólica) (Ver Google English). (*) É arcebispo emérito de Maceió.

Relacionadas