Opinião
Lula e as volunt�rias
| Marcos Davi Melo * Dois dias antes de o jornal Gazeta de Alagoas publicar em sua edição de domingo passado que a Unidade de Emergência, por força das circunstâncias perversas da assistência médica no País, transformara-se em hospital geral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparecia à inauguração de um hospital no Rio Grande do Sul e proferia um discurso ufanista em que garantiu: ?O Brasil não está longe de assumir a perfeição no tratamento de saúde?. O pronunciamento do presidente da República continuou por essa linha distanciada da realidade, principalmente para quem é desprovido de um plano de saúde e depende unicamente do Sistema Único de Saúde (SUS) e enfrenta as suas longas filas, espera meses por uma consulta ou por um exame complementar, como o simples PSA, que quando alterado pode sugerir a presença de uma doença grave na próstata, como o câncer. Nós, médicos e outros profissionais de saúde, que trabalhamos majoritariamente com pessoas humildes (como é o perfil de nosso Estado, onde 92% das pessoas dependem exclusivamente do SUS), sabemos que apesar do esforço dos profissionais e dos hospitais, a situação dos usuários do SUS, de um modo geral e com raras exceções, só tem piorado em termos de assistência médico-hospitalar no País, principalmente quando precisam de um internamento. Não se cobra de Lula a resolução imediata de um problema como esse que vem se arrastando há tempos, mais é impressionante a repetição dos pronunciamentos com pouco conteúdo e pouca lógica, que tem caracterizado a trajetória presidencial e, principalmente, a falta de sensibilidade em um assunto dessa natureza, partindo de quem teve uma propalada origem humilde. O que faltou de sensibilidade ao presidente, sobrou esta semana, com a eleição de uma nova diretoria para a Rede Feminina de Combate ao Câncer, grupo de 100 senhoras voluntárias que se dedicam com amor e carinho aos pacientes cancerosos humildes de nossa terra. As homenagens prestadas às ex-presidentes Tereza Costa e Hélia Mendes foram mais que justas e, a nova presidente, Fátima Canuto Rocha, já mostrou que fará uma gestão marcante, em que poderemos continuar mostrando que a nossa sociedade não é insensível, não se omite no auxílio aos mais necessitados e conhece a realidade em que vive. (*) É professor titular da Uncisal.