Opinião
Dia de festa? - Editorial
A bem da verdade, o 1º de maio foi comemorado, ontem, numa conjuntura adversa para os trabalhadores. A não ser que o sonho seja a mais ampla distribuição de bolsas-família e de outros objetos do desejo assistencialista, os trabalhadores deveriam reconhecer o clima de pesadelo no ar. Afinal, não há perspectivas de geração de um número significativo de empregos, não existem iniciativas governamentais para impulsionar o crescimento econômico. E não há como melhorar a condição de vida do trabalhador que não seja pelo desenvolvimento econômico. A dureza da realidade pode ser aquilatada pelos resultados de pesquisa divulgada, há mais de uma semana, pelo Banco Mundial, donde se explica que a América Latina conseguiu crescer menos que a paupérrima África Subsaariana na última década. Pelos números do Banco Mundial, na última década, a África Subsaariana cresceu 3,4% ao ano, contra 2,1% da América Latina e Caribe; no particular, o Brasil conseguiu cravar uma média de 2%. Qual magia é capaz de fazer um país como o Brasil crescer menos que a depauperada região da África Subsaariana? Resposta simples e curta: a política econômica praticada durante toda esta década. Leve em consideração que o espaço de tempo pesquisado pelo Banco Mundial é de dez anos, o que comprova o óbvio ululante: não houve mudança de política econômica entre FHC e Lula ? ou seja, o Brasil sofre o continum da ortodoxia monetária, de fidelidade canina aos ditames dos grandes especuladores internacionais. E ontem, no primeiro de maio de 2006, o Dia do trabalhador foi comemorado no calor de uma campanha eleitoral na qual os dois candidatos melhor posicionados defendem exatamente o continuísmo em termos de política econômica ? ou seja, festejou-se a falta de perspectivas para os trabalhadores, pelo menos por mais um quadriênio.