Opinião
Exemplo f�rtil - Editorial
Num momento em que as iniciativas dos chamados ?sem-terra? são facilmente confundidas com atos de banditismo (quando não o são literalmente), exemplos de união e prosperidade por parte de agricultores alagoanos merecem ser mais estudados e compreendidos. Não se precisa procurar muito, basta olhar o caso da Cooperativa Pindorama, que por sinal, completou 50 anos de vida no dia 1º de maio deste ano. Naturalmente, não se deve procurar sinais de igualdade onde existem semelhanças e se os cooperados seminais da Pindorama não tinham as mesmas características sociais dos atuais integrantes dos MST e siglas assemelhadas, seguramente não eram latifundiários os alagoanos mobilizados pelo suíço-francês René Bertholet nos idos de 1956. Cinqüenta anos depois (de muito trabalho), a Pindorama é uma exemplar e moderna unidade produtiva. Diversificada, produz açúcar e álcool, sucos e derivados de coco. Constituída, desde sempre, por pequenos proprietários, hoje oferece 1.800 empregos no campo e 300 na indústria, unindo minifúndios por 32 mil hectares. Um sucesso inquestionável. Não caiu do céu tal sucesso, foi conquistado duramente. Mas o triunfo dos cooperados de Pindorama não foi colhido em terras semeadas pela barbárie, muito pelo contrário. As conquistas e os avanços daquela cooperativa foram suados nos caminhos de uma estratégia clara, transparente, perseguindo metas objetivas. Sem dúvida que não vivemos em 1956; sem dúvida que hoje a enorme quantidade dos desprovidos de terra é um grande complicador; sem dúvida que nos dias de hoje as oportunidades são mais escassas. Certamente Pindorama pode ser copiada em série, mas seu sucesso indiscutível prova que o vandalismo não é o caminho para se conquistar avanços reais na questão fundiária no Brasil e em Alagoas.