loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O mart�rio do Pal�cio Floriano Peixoto

Ouvir
Compartilhar

| Benedito Ramos * Em qualquer parte do mundo, o Palácio do Governo representa a tradição, cultura, história como a própria imagem do Estado. Uma espécie de chancelaria destinada a receber autoridades, visitantes ilustres e realizar eventos importantes. E, na maioria das vezes, residência oficial do governador. É o orgulho de seus habitantes pela sua própria terra. O que significa que a função de governador não é a de um mero servidor que possa se esconder dentro de um gabinete, com seus auxiliares, num edifício anônimo construído como tantos, para atender ao gosto e ao conforto do burguês contemporâneo. A inverossímil idéia de dar a Maceió mais um museu parece ser parte de uma doença que contamina o País de ponta a ponta. Cria-se o novo e esquece-se do que já existente. Concebe-se museus de papel, luzes e multimídia. Verdadeiras fortunas são gastas com virtualidades. Procura-se o impacto de um imaginário contemporâneo ao gosto espalhafatoso da América. Não seria mais lógico promover a revitalização do que já existe? O próprio Instituto Histórico precisaria ter seu acervo reinstalado e assim como o Museu Chalita carecem, urgentemente, de um estacionamento. Embora, este último, poderia presentear a cidade com outro museu só com as peças de sua reserva. Maceió deveria levar o turista a conhecer a cidade e menos praia. Sem visitantes, para que tal investimento? O prédio do Misa desde que foi restaurado nunca teve uma exposição de seu próprio acervo. Não há dinheiro para manter o que tradicionalmente já existe. Como haverá para instalar um novo? Reclama-se que as obras de Rosalvo Ribeiro não são vistas. É verdade. Mas por que não criar um circuito de visitação ao artista, mantendo a obra de Luigi Lucarini intacta, na sua função original? Um grande exemplo é o Palácio Laranjeiras, residência oficial da governadora do Rio de Janeiro, que desde 2001 mantém visitação pública na ala social do edifício. Aqui vizinho, o Palácio do Campo das Princesas, do governo de Pernambuco, também já possui o mesmo circuito de visitação. Nenhum dos dois edifícios deixou de ser o ?Palácio do Governo?. O que há de mais estranho em tudo isso é o silêncio da cultura alagoana. Ninguém até agora se pronunciou. Todos parecem bater palmas a essa afronta a dignidade do povo alagoano. Maceió perde a sua maior referência institucional ? o Palácio Floriano. Mas isso não parece ter importância alguma. É decisão tomada. É motivo de festa. O que será que o Conselho de Cultura pensa disso tudo? E o futuro governador? (*) É escritor.

Relacionadas