Opinião
O camel�
| Luiz Barroso Filho * Concluída a primeira etapa do Projeto de Requalificação do Centro, os vendedores ambulantes que ocupavam parte das Ruas do Comércio, Moreira Lima e Boa Vista vêm demonstrando insatisfação com a forma encontrada pela Prefeitura, para localizá-los provisoriamente, o que já provocou atos de vandalismo e confronto com a polícia. As contendas envolvendo prefeituras e camelôs, Brasil afora, são antigas e têm inspirado poetas e compositores da música popular brasileira, porquanto o camelô é um personagem marcante do cotidiano das cidades, apesar de exercer uma atividade ainda considerada marginal. Em 1957, o samba Camelô, da autoria do talentoso Billy Blanco, retratava o vendedor ambulante como um indivíduo malandro e espertalhão: ?Camelô, esse dono da calçada/ Da conversa bem jogada/ Vende a quem não quer comprar/ Se tivesse tido a chance de uma escola/ Muita gente de cartola lhe daria seu lugar/ Ele é vesgo pois a profissão ensina/ A ter um olho na esquina e o outro olho no freguês/ Assim, de vez em quando ele escapa/ Gozando a cara do rapa/ Que bobeou outra vez/ Aconselho, então, a muito deputado/ Que ganha calado/ Escutar o camelô com atenção/ O distinto aprenderá a falar de fato/ E ao terminar o mandato/ Já tem uma profissão?. Hoje, no entanto, o camelô apresenta outro perfil. Ele é um trabalhador que luta para poder sobreviver sem ter de fugir do rapa. Porém, em conseqüência das mazelas do País, o crescimento do número de pessoas que trabalham no comércio ambulante vem causando transtornos que dificilmente serão atenuados a curto prazo. Em Maceió, na década de 60 do século passado, o prefeito Sandoval Caju, que se notabilizou por construir praças, transformou a bonita Praça Emílio de Maia, no chamado ?Mercado do Camelô?, para acomodar a grande quantidade de ambulantes que proliferavam em torno do atual Mercado do Artesanato, na Levada. Alguns anos depois, a Praça da Independência (do Quartel da Polícia Militar) também foi utilizada para abrigar os que atuavam em outras ruas do Centro. O fato é que atualmente várias ruas do centro comercial de Maceió estão repletas de camelôs, e como se trata de uma questão delicada, em face da conjuntura social e econômica do Estado, eles não podem cometer atitudes radicais, para ver atendidas suas reivindicações, nem sofrer a repressão implacável do Poder Público, pois a intolerância de qualquer uma das partes somente agravará a situação. (*) É advogado e membro da Academia Maceioense de Letras.