Opinião
A conduta humana
| Anilda Leão * Até parece que ainda vivemos na Idade da barbárie, pois os males daquela época estão retornando: nas doenças epidêmicas, na matança das crianças, nos crimes hediondos, nas bebidas, nas drogas, na licenciosidade sexual e moral. Se atentarmos bem, concluiremos que a conduta humana está retrocedendo para um barbarismo injustificável, já que estamos vivenciando o início do terceiro milênio, que, conforme afirmam alguns estudiosos, seria o início de um tempo mais espiritualizado no planeta Terra. Estamos, entretanto, presenciando a destruição do homem pelo homem, num processo que não respeita nem sexo, nem idade. Sabemos, todos os dias, de crianças praticando crimes os mais diversos e os mais revoltantes. Que penalidade pode ser aplicada a um adolescente? Certo que não será prudente, nem aconselhável, interná-lo numa instituição como a malfadada Febem, que ao invés de educar e recuperar, atira esses meninos num abismo ainda maior; muito menos, como muitos clamam até com histeria, jogá-los nessas verdadeira universidades do crime que são os presídios em nosso País, como pretendem aqueles que pedem a redução da maioridade de 18 para 16 anos. Instituições sérias, com assistentes sociais, psicólogos, educadores, religiosos, é o que essas crianças delinqüentes necessitam, para que a própria sociedade possa reparar o mal que lhes causou ? e que agora se volta contra essa mesma sociedade. Uma outra forma de barbarismo é a situação do nosso homem do campo. Nem parece que estamos no século 20, com a ciência e a tecnologia ao nosso alcance. Eu, particularmente, admiro de modo especial esses verdadeiros trabalhadores da terra, os pobres infelizes que se esfalfam no cultivo do solo e recebem ínfimas quantias que, ao fim das contas, ficam mesmo é nos barracões das fazendas e das propriedades dos senhores rurais. A injustiça social, minha gente, é mais gritante entre esse povo humilde, crente em Deus e no seu ?Padinho? Cícero. A fé dessa gente diz que um dia tudo vai melhorar. Será que os políticos que se elegem, de tempos em tempos, com os votos do sofrido povo nordestino, não podem resolver esses males? O que vemos nos lares, nas escolas, nas cidades, nos campos é o desamparo das leis não cumpridas. A própria justiça a cometer injustiças, adiando processos, protelando julgamentos e incentivando, desse modo, a impunidade. Estejamos sempre convictos de que o homem é sempre algo mais do que ele próprio tem consciência e, um dia, irá despertar para essa realidade. Desejo apenas que não seja tarde demais. (*) É escritora.