Opinião
Imp�rio do medo - Editorial
Mais uma semana começou no território alagoano com as atenções maiores de boa parte dos moradores voltadas para o desfecho das peripécias de Alessandro dos Santos, o ?Sandrinho?, um jovem que não teria mais de 18 anos, e, a julgar pelas informações de populares e da polícia, é autor de muitos delitos, inclusive assassinatos. Após tornar-se um dos muitos detentos que fugiram facilmente do presídio Baldomero Cavalcanti, o medo aumentou ainda mais. São muitas as versões em relação a mais esse infrator integrante da juventude brasileira. Todas más. Por causa desse moço, estariam em polvorosa não apenas as pessoas que vivem no bairro do Benedito Bentes, onde ele teria cometido os primeiros crimes, mas as populações de Maceió e de outras cidades alagoanas. Como os habitantes dos lugarejos do Sertão e Agreste nos tempos dos cangaceiros como Virgulino Ferreira, o Lampião, e sua cabroeira. Casos como o que ora abordamos não mais surpreendem. Até chegam a ser vistos como comuns nas cidades brasileiras, a partir das grotas e favelas, em razão da impunidade de bandidos de outras áreas, e pelo fato de continuarem raras, nesses lugares, ações de efeito duradouro na área social enquanto atribuições da administração pública. Mesmo nos anos marcados por eleições, quando a presença do poder público e as preocupações com o destino dessa gente passam a ser mais notadas, o que tem sido feito é insuficiente para evitar o agravamento das precariedades. Agora, a polícia vê-se às voltas com fugas de todos os lados, em delegacias, em presídios, na capital e no interior do Estado. Diante do quadro de aparente descontrole, o Estado não pode mais esperar, não pode também render-se a medidas paliativas, que, longe de uma solução consistente e permanente, são marcadas pelo improviso e pouca valia.