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| HUMBERTO MARTINS * Há pouco menos de um século, um país financeira e economicamente combalido, que precisasse se recuperar, podia se fechar entre fronteiras, não comprar nem vender nada a ninguém e coser-se com suas próprias linhas. Foi o que fez, por exemplo, o ditador português Oliveira Salazar, de quem pouco se fala hoje em dia, ao longo de algumas décadas, em partes da primeira e segunda metades do século passado. Apoiado firmemente pelos militares, prudente, Salazar foi primeiro-ministro enquanto ocorria um rodízio de generais e almirantes que embora presidentes da República, mandavam apenas nos quartéis. Manteve Portugal fora da Segunda Guerra Mundial, que envolveu a Europa inteira, à exceção da nação lusa, da Suíça, da Suécia e da Turquia. E manteve também o império colonial que incluía Angola, Moçambique, Cabo Verde (África), além de pequenas possessões na Índia (Goa, Diu e Damão) e China (Macau). Morreu no poder, sendo substituído por Marcelo Caetano, que conduzia uma lenta abertura do regime quando foi deposto por um movimento militar que restaurou a democracia e liquidou a etapa colonial portuguesa. Há muitas críticas à trajetória política de Salazar, mas é preciso ponderar que seu período coincidiu com a grande tragédia bélica que matou 50 milhões de pessoas - a Segunda Guerra Mundial - e que ele, governando uma nação de poder militar limitado, conseguiu manter-se a salvo dos grandes blocos mundiais liderados pela Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos e União Soviética. Todo esse histórico é para dizer que no mundo globalizado dos nossos dias, Salazar não poderia, isolando-se, ter estancado a hemorragia financeira do seu país, como fez durante seu longo consulado. Comprar, vender, importar, exportar, integrar-se, atrair investimentos, investir internamente e no exterior, são procedimentos absolutamente imprescindíveis no mundo de hoje. Mesmo num Estado territorialmente pequeno, como é o caso de Alagoas, o relacionamento comercial com o exterior é muito expressivo, garantindo trabalho à parte da sua população e injetando recursos que se multiplicam e consolidam a economia. As exportações alagoanas aumentaram 35,67% nos primeiros três meses deste ano, se comparadas com o mesmo período do ano passado. Alcançaram 748,8 mil toneladas, o equivalente, US$ 273,4 milhões. O açúcar continua liderando a pauta das exportações (70%), confirmando uma vocação econômica que remonta aos primórdios da colonização. Uma informação animadora, em termos de diversificação, é que as exportações de hortícolas, até o término do mês de março, cresceram 335,64%. Ampliar e aperfeiçoar nossas infra-estruturas, proporcionar crédito aos empresários e treinar a mão de obra são os caminhos aconselháveis para prosseguir nesse roteiro de progresso. (*) É desembargador do TJ/AL.

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