Opinião
Avenida sem paz - Editorial
A enseada de Jaraguá é uma das praias mais bonitas de Alagoas e a mais sem sorte do Estado, pois há décadas tem sofrido um mico atrás do outro. A começar pela desembocadura do riacho Salgadinho, transformada na mais abjeta boca de esgoto do Nordeste, uma sucessão de problemas acomete a bela praia da Avenida da Paz. Por um tempo, no tempo da ilusão da revitalização do bairro de Jaraguá, Maceió sonhou que ali seria instalada sua marina; depois essa idéia foi se desvanecendo até sumir da lembrança. Veio o ?Estacionamento de Jaraguá?, logo vertido num deserto, utilizável para fins incertos, mas certamente nunca estacionamento. Mais tarde surgiu o Memorial da República, alvo de acirrada polêmica sobre a utilização dos ?terrenos de marinha?. Levantada a toque de caixa, a obra arrancou unânimes protestos por (assim como o memorial Teotônio Vilela, na Pajuçara) subtrair dos olhares do povo parte do belíssimo visual da enseada. E, fiel ao dito popular ?além de queda, coice?, a área ganhou mais uma agressão: toscas barracas foram erguidas ao lado do Memorial da República com o objetivo de abrigar mais uma feira de artesanato. Os feirantes não têm culpa, pelo contrário, estão no direito deles de brigar por melhores dias, pelo apoio do poder público para ganharem a vida com o suor de seus rostos. O erro está na cessão de uma área daquela para um fim desse tipo. A chamada feirinha da Pajuçara (que dobrou de tamanho nos últimos anos) é um exemplo desse erro. Nem a justificativa social pode desculpar tal equívoco múltiplo, pois além de lotear o que não deveria ser loteado, beneficia uns em detrimento de outros. E qual o estímulo dado a quem investe no aluguel de imóveis para neles instalar suas idênticas feiras de artesanato? Qual a igualdade de oportunidades que distingue um feirante do outro, um camelô do outro?