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Ballet Nacional de Cuba

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| LYSETTE LYRA * Foram os gregos que estabeleceram as bases para a cultura musical do Ocidente. A própria palavra música vem do grego ?musikê? e significa a arte das musas. Eles a atribuíam aos deuses, definindo-a como uma criação do espírito, um meio de alcançar a perfeição. Seus princípios são de fundo ritual religioso e primitivo. O teatro grego era acompanhado de dança e canto. A dança ocidental sofreu um processo de ruptura com o advento do cristianismo. Foi perseguida pela igreja que a achava uma arte obscena. Sobretudo para as mulheres, que, no início, eram tidas como uma cópia da Virgem Maria e que, mais tarde, passaram a ser olhadas como símbolo do pecado. A discriminação da mulher foi construída sobre conceitos religiosos. Algumas danças permitidas eram apenas para o sexo masculino. O balé teve suas origens nas danças de salão das cortes renascentistas italianas e francesas. Em 1661, foi fundada em Paris a Academia Real de Música e Dança e em 1713 abriu-se o Ballet da Ópera de Paris. No início, somente para pessoas pobres dos 9 aos 13 anos de idade. O Romantismo, no século XVIII, trouxe a sublimação da mulher nas artes e naturalmente na dança, também. Muitos músicos famosos como: Tchaicovisky, Delibes, Stravinsky, Ravel, Debussy escreveram peças para o balé. Aos poucos a dança clássica se desenvolveu e tornou-se um espetáculo muito admirado no mundo inteiro. A magia de sua interpretação, de suas coreografias leves e românticas dominou o público. O Ballet Nacional de Cuba nasceu com o Ballet de Alícia Afonso em 1948 e com a Escola Nacional de ballet Alicia Afonso, em 1950. Com a revolução que estatizou suas companhias em 1959, passou a Ballet Nacional de Cuba e começou a receber apoio do governo tornando-se o que é hoje. Mas ela já era uma bailarina de prestígio e já havia dançado na Rússia em 1957. Formou-se em Cuba e nos Estados Unidos, com mestres das antigas escolas russas e italianas. Atuou nos palcos até os 75 anos, mas continua como coreógrafa, professora e supervisora do balé, apesar de seus 85 anos de idade. Seus bailarinos são magistrais. Desenvolvem com habilidade e sensibilidade os passos orientados pela grande mestra. Coppélia, Giselle, Quebra Nozes, Don Quixote, Lago dos Cisnes, Sinfonia de Gottschalk nos transportaram a um mundo de sonhos e encantamento. Casa lotada, aplausos calorosos mostraram como o público apreciou, devidamente, essas horas de arte. Precisamos renová-las, pois balé é cultura e é disso que nossa gente precisa e que lhes tem sido quase sempre negado. Parabenizo a construção do teatro Gustavo Leite, de perfeitas técnicas, que possibilitou a apresentação de espetáculos grandiosos como esse. (*) É escritora.

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