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Opinião

Patriotismo

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| SÉRGIO COSTA * No 21 de abril que passou meus neurônios entraram em parafuso. Cheguei até duvidar do sentimento de patriotismo e achar que só os bobos ainda têm capacidade de amar a pátria. A desorganização mental era enorme. Enquanto lembrava da árdua luta que os inconfidentes enfrentaram para iniciar o nosso processo de libertação, assistia, via Embratel, à pátria amada Brasil ser saqueada e ridicularizada por meio de sucessivos escândalos políticos. Mas eu precisava de uma definição. Ser ou não ser patriota era a pergunta que não calava. Pedi desculpas a Shakespeare pelo plágio e exigi que a memória me levasse às aulas de história do tempo da minha adolescência. Como que comandando a máquina do tempo, voltei ao antigo curso primário. De repente me vi diante do olhar perfeccionista do instrutor da banda marcial. Mão direita sobre o peito esquerdo, fronte erguida em direção à bandeira, lá estava eu perfilado com os colegas de turma cantando respeitosamente o Hino Nacional. Naquele dia a professora veio mais elegante e nos falou orgulhosamente sobre Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira e mártir da independência do nosso País. Com a voz embargada pela emoção, contou-nos que ele foi esquartejado em praça pública por ter sonhado e lutado por um Brasil livre e soberano. Mesmo na prisão, dizia ela, Tiradentes tinha a convicção plena de que sua morte não seria em vão e que as dores que ele antevia sofrer iriam apenas apressar a realização dos seus sonhos. Foi estimulante e, acima de tudo, patriótico, reviver oniricamente aquele 21 de abril. Volto aos dias atuais e começo a entender que patriotismo não é um sentimento inato, não vem do berço. São os grandes feitos que fazem com que a gente aprenda respeitar, amar e defender a pátria. E a recíproca é terrivelmente verdadeira. Ou seja, quando não há líderes, o povo perde a referência e foge à luta. Não é o que vemos? Enquanto representantes políticos transferem nossas riquezas para ultramar, dormimos nas calcadas frias da noite, madrugamos nas enormes filas do INSS e, de cabeça baixa, recebemos esmolas para atender necessidades vitais. Essas injustiças fazem de mim um ser anômalo. Sofro sem sentir dor; fico indignado sem ter ódio; pago impostos e não me sinto cidadão; sou republicano mas não governo. Apesar de tudo ainda sinto emoção ao ouvir o hino nacional. Às vezes dá vontade de ir às ruas lutar contra os opressores. Emoção quixotesca? Talvez. É que a chama de patriotismo que trago comigo desde a juventude ainda não se apagou (*) É contador.

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