Opinião
Os Bentos na hist�ria do papado (6)
| DOM EDVALDO G. AMARAL * Filho de nobres nascido em Gênova, Tiago Della Chiesa, foi menino inteligente e muito estudioso. De família catolicíssima, por orientação de sua mãe, a marquesa Joana Migliorati, Tiago leu na infância a vida de s. Domingos Sávio, escrita por Dom Bosco. Assim, uniram-se espiritualmente o pobre garoto santo das colinas de Asti com o ilustre filho do marquês de Spoleto. Seguindo a tradição familiar, ingressou na vida eclesiástica, doutorando-se em Teologia e ordenando-se sacerdote em 1878. Em Roma, trabalhou com os papas Pio IX, Leão XIII e s. Pio X. Era arcebispo de Bolonha, nas pegadas de Bento XIV, quando foi eleito papa pelo Conclave de 1914, tomando o nome de Bento XV. Em seu pontificado, viu de perto os horrores da I Guerra Mundial. Na primeira mensagem ao mundo, como pai universal, ele dizia: ?Volvendo o olhar em torno de nós, é indescritível o horror e a amargura ao contemplar o terrível espetáculo desta guerra, em que vemos a Europa, devastada a ferro e fogo, avermelhar-se de sangue.? Inspirado pela caridade de Cristo, não teve outro projeto senão levar a Ele a Europa e o mundo e Nele reencontrar a paz entre os povos. ?A guerra vem unicamente da recusa de Deus e de seu Filho Jesus, recusa operada pelo ateismo e as ideologias do ódio e da violência? - dizia em sua primeira Encíclica Ad beatissimi. Armado somente da caridade de Cristo, bradava: ?Sou o pai de todos os meus filhos que se trucidam mutuamente e só posso gritar-lhes: Paz, paz e paz!? Aos povos combatentes, dirigiu propostas concretas: reduzir os armamentos; apelar para a arbitragem na solução dos problemas; liberar os mares, desocupar os territórios ocupados, com o perdão das dívidas da guerra e a anulação das reivindicações. Sem as potências européias acolherem seu apelo de paz, Bento XV se dedicou à ?Obra dos Prisioneiros?, com gigantescas dimensões: 700 mil pedidos de informações sobre desaparecidos, 40 mil repatriações, 500 mil comunicações às famílias dos combatentes. Enviados especiais, em nome do papa, visitavam os campos de concentração, confortavam os feridos, libertavam os inocentes e ajudavam no possível. Socorreu a Polônia, a Bélgica, os Bálcãs, a Armênia, o Líbano e a Síria. Socorrreu os russos famintos e ajudou a Áustria, a Alemanha e a Irlanda. ?Mais do que herói da caridade, foi o campeão da civilização e da fraternidade humana? - foi dito dele. Em Constantinopla, em 1920, foi-lhe dedicada uma estátua, com a inscrição: ?Ao grande pontífice, benfeitor dos povos.? Mas Bento XV foi, acima de tudo, o vigário de Cristo e o mestre da verdade. Em 1917, promulgou o Código de Direito Canônico, primeira codificação das leis eclesiásticas, chamado ?código pio-beneditino? em homenagem aos dois papas que o prepararam: s. Pio X e Bento XV. (*) É arcebispo emérito de Maceió.