Opinião
Drama sem-teto - Editorial
É cada vez mais assustadora a seqüência das invasões de propriedades públicas e particulares promovidas pelos sem-teto no Brasil. As perspectivas ainda ficam mais complicadas se levado em conta um estudo da ONU (Organização das Nações Unidas), no qual está colocado que no Brasil cerca de 51 milhões de pessoas estão vivendo em habitações precárias ? sem saneamento, água potável, título de propriedade ou coleta do lixo. Segundo a ONU, só perdemos para a China e para a Índia em número de pessoas nessa deplorável situação. Estamos posicionados entre os piores em matéria de habitação na América do Sul. Com o Peru, aplicando em imóveis apenas 2% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto os gastos no Chile chegam a 12% - até nossa vizinha pobre e agora agressiva, a Bolívia, aparece com 8,5% do PIB aplicado em habitação. O Uruguai investe 7% e a Argentina 4,5%. O levantamento das Nações Unidas foi divulgado no segundo semestre do ano passado e já mostrava o Brasil com 33,9 milhões de cidadãos sem casa. Só nas áreas urbanas são 24 milhões de brasileiros que não possuem habitação adequada ou, pura e simplesmente, não têm onde morar. Pela grita e pelas invasões de imóveis é de se supor que o quadro não tenha melhorado; pelo contrário, o crescente de ações invasoras indica um acirramento do problema. Os números do IBGE corroboram os da ONU. Indicam as pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística que existem no País, mais de seis milhões de domicílios (contendo cerca de 51 milhões de pessoas) consideradas habitações precárias ? sem saneamento, água potável, título de propriedade ou coleta do lixo. Uma gravíssima realidade que está a exigir mais das autoridades federais do que tem sido ofertado até agora, sob pena de estarmos cultivando mais uma explosiva tragédia social. A hora de agir chegou faz muito tempo.