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Sanguessugas e elefantes

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| MARCOS DAVI MELO * Eis que estoura mais um escândalo nacional que veio ao conhecimento público sob a alcunha de Operação Sanguessuga. Pelo que se sabe até agora, o esquema era baseado em superfaturamento na compra de ambulâncias para vários municípios brasileiros. A ambulância custava, digamos, 50 mil reais e para os cofres públicos saía por no mínimo 110 mil reais. Entre os denunciados existem culpados e inocentes, como se poderá ver. Também esta semana, durante uma reunião do Conselho Estadual de Saúde, uma das questões mais polêmicas foi a assistência aos pacientes psiquiátricos. No resumo: os leitos em hospitais psiquiátricos devem ser reduzidos ao máximo, pois não existem recursos para continuar internando os alienados. Desta forma é necessário tratá-los ambulatorialmente, só os internando em último caso e quando houver disponibilidade de leitos. Quem já teve a infeliz oportunidade de conviver de perto com um doente mental em crise, sabe o quanto é penoso não dispor do auxílio de um internamento emergencial para superá-la sem maiores danos. Não é de agora que existe uma política de gabinete, implantada no Ministério da Saúde, que contempla pleitos políticos dos que querem ambulâncias a qualquer preço e, algumas vezes, justificadamente, para atender a comunidade de seu município. Prefeitos, deputados e outras figuras influentes querem equipamentos médicos de qualquer jeito, sem saber como vão mantê-los funcionando e principalmente a relação custo-benefício; equação simples que qualquer dona de casa pratica no dia-a-dia. Dessa forma, a enxurrada de equipamentos médicos que saem do Ministério e apodrecerão em hospitais que não têm como operacionalizá-los é antiga, não estanca e o Ministério não liga. Torrar os parcos recursos da saúde com superfaturamentos, desvios, desperdícios e obras é crônico. Ah, como eles gostam de obras! O desperdício é antigo e doloroso. Enquanto isso falta dinheiro para tudo, inclusive para remédios, para diárias hospitalares e para melhorar os salários dos funcionários, como se vê em mais uma greve na saúde municipal. Quem quiser dê uma olhada em inúmeros hospitais em qualquer Estado do País, inclusive no nosso. Elefantes brancos como o hospital de Santana do Ipanema, onde se gastaram tantos milhões de reais e até agora não atendeu um único paciente, vão continuar concorrendo com as sanguessugas pelos anêmicos recursos da saúde. (*) É médico e professor da Uncisal.

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