Opinião
A superefici�ncia dos meios e a confus�o dos fins
| J. HELENO SANTOS * O cientista alemão Albert Einstein (1879-1955) disse certa vez que ?o mundo nunca teve, como agora, melhor ensejo de ser feliz?, referindo-se ao desenvolvimento científico e tecnológico atingido pelo homem, que, já naquela época, se bem direcionado, garantiria uma excelente qualidade de vida a todos os seres humanos. Mas, ao invés de aproveitar o ensejo, a humanidade tinha optado pelo caminho que o grande cientista definia como ?a supereficiência dos meios e a confusão dos fins?. Passados esses anos, tecnologicamente muito mais avançados, parece que continuamos nessa mesma via. Canalizando o tema de seus dutos globais para a nossa realidade, os brasileiros têm visto e ouvido, quase sempre no horário nobre, em bem cuidados comerciais, que o Brasil já é auto-suficiente em petróleo. Excelente! Bravíssimo! Gritaríamos todos. Equivaleria a dizer que, teoricamente, não nos preocuparia mais o sobe e desce dos preços do combustível. Se assim for, já podemos nós, filhos da pátria, finalmente, deitar-nos em pomposo berço esplêndido, ao som do mar, rico em petróleo, enquanto as plataformas com tecnologia nacional, à luz do céu profundo, extraem o ouro negro dos precipícios marítimos. Bem, quem estiver sonhando que as coisas serão assim, já passou da hora de acordar. Espiando através da dura ótica de outras realidades, a coisa é bem diferente. Pelos mesmos canais televisivos que veiculam belos comerciais, agora cutucados por repórteres, dirigentes da monopolista estatal petrolífera informam que produção auto-suficiente é uma coisa, mas, preço, é outra. Traduzindo para o ?bolsês? (ou, se queiram, para o bolso do freguês): o País não pode deixar de aumentar o petróleo quando este subir no mercado internacional. E a auto-suficiência? Ah, isso é outro papo. Afinal de contas, quem somos nós para exigir preços baixos do governo? Isso é coisa para o cacique boliviano, chefe Evo, que num decreto anti-histórico pôs nossa auto-suficiência em maus lençóis. Parece que o gás boliviano sufocou o Itamarati... Não resisto à tentação de parodiar Einstein: o Brasil nunca teve, como agora, melhor ensejo de se impor. Mas, como nem só de petróleo vive uma nação, temos outros exemplos de supereficiência de nosso florão da América. Segundo o IBGE e o Sindicato da Indústria do Cimento, respectivamente, foram produzidas 32,9 milhões de toneladas de aço e 35,4 milhões de toneladas de cimento em 2005. De um lado, a tremenda façanha industrial, do outro, a imagem de famílias que vivem em casebres pendentes de morros, prestes a desabar, onde jamais se viu aço ou cimento. Duas realidades tão angustiantemente antagônicas, geradas dentro do mesmo país. Pessoas passam fome; o agronegócio produz milhões e milhões de toneladas de alimentos. Muitos enriquecem ilicitamente; trabalhadores consomem a vida por um salário mínimo. (*) É servidor público militar do Estado.