Opinião
Sem controle - Editorial
A população alagoana só estava acostumada a ouvir falar em ?lei seca? estabelecida para vigorar apenas no dia de eleição, de dois em dois anos. E não existiam notícias, pelo menos na história recente do Estado, sobre recompensas financeiras para capturar bandidos. Na última reunião do Conselho Estadual de Segurança e Justiça, veio à tona a notícia de cabeças a prêmio, como no ?Velho Oeste?. Mas a situação é de tal gravidade que vamos precisar nos acostumar a conviver com maior freqüência com medidas desse jaez. Afinal, é apavorante o crescimento dos números no que se refere a crimes de toda a ordem, principalmente na região da grande Maceió. Além da multiplicidade das ocorrências, já começam a ganhar notoriedade figuras tidas como exponenciais no mundo do crime, como os alcunhados ?Sandrinho? e ?Cow?, ambos evadidos de um presídio de máxima insegurança situado em Maceió. Lei seca e prêmios para captura são medidas de eficácia discutíveis, mas ? enfim ? estamos numa situação tão crítica que toda tentativa parece louvável simplesmente por tentar. Na verdade, são necessários planos mais concretos de combate ao crime, projetos esses conjugados com ações reais de redução da exclusão social. Mais de 180 relatórios enviados à Secretaria Nacional de Segurança Pública, no atual governo, destacam a falta de dinheiro (até para programas educacionais de resistência às drogas) e outras tantas questões objetivas na lista das dificuldades para implantar projetos de prevenção ao crime nos estados e municípios. A insegurança é do Brasil, não apenas de Alagoas. A constatação não pode servir de desculpa para deixarmos de fazer as lições de casa. Lei seca e recompensas são, ao mesmo tempo, tentativas de se inovar nesse combate e confissões de que o aparato policial está aquém das necessidades atuais de enfrentamento ao banditismo.