Opinião
Mulher e vaidade
| Zaida Lins de Lima * A cirurgia plástica tornou-se um recurso que se popularizou espantosamente. Varia da facial, corretiva, abdominal, ou de implantes à base de silicone. Às vezes aplicações de botox, preenchimentos com metacrilato, e lipoesculturas contentam. Os cirurgiões plásticos garantem o sucesso, e a regra, confirma-se. Mulheres de classe média e abaixo dela, ambicionam seios de silicone mais do que uma instrução que as capacite para um melhor emprego ou profissão. TV e revistas são responsáveis por essa inversão de valores. Mostram o perfil da garota exuberante, saudável e ?poderosa?, que a todos conquista! Não precisa de maiores conhecimentos além da própria feminilidade. E lá vai: ?barriga para dentro, peito para fora, bunda empinada...? Isso, e o famoso cabelo de chapinha. O futuro promete! O imediatismo do aqui e agora prevalece. Mas os seios e a bunda siliconados caem com o tempo porque a pele cresce. As pernas, apesar da malhação constante, perdem o viço e a sensualidade. A lei da gravidade é implacável! Feliz daquela que construir o patrimônio único e indivisível, consolidado pela boa leitura. Esse aí ninguém rouba, nem destrói, tampouco precisa de traumatismos para se manter brilhante, juvenil e atual. Evidentemente se pode conciliar uma coisa com a outra, desde que haja recurso financeiro e saúde. Existem, no entanto, outras implicações: o especialista não é mágico! Não pode tornar o feio, bonito, com uma cirurgia plástica. Melhora a fisionomia ao retirar excessos de pele, rugas ou cicatrizes. O rosto e a expressão permanecem. Esticá-lo demais desfigura, descaracteriza. Basta o susto de um pós-operatório. Uma pequena retificação no pescoço, por exemplo: a pele descolada incha, alarga tudo, e a cara cresce porque o queixo entra na dança. Prende-se tudo atrás das orelhas e por baixo da mandíbula. Resultado: durante um mês, a mulher se vê hor-ro-ro-sa! Isso porque não mexeu na face, nos olhos nem na testa. Consulta várias vezes o espelho, sentindo-se mais feia ainda. Melhor passar longe. Depois de uma cirurgia dessas, a empregada chega do sertão para ajudar ?a doente ?. Olha de longe, com medo, e pergunta à outra, a quem vai substituir: - Aquilo ali é a dona Zaida? Bom saber que tudo isso passa. A decepção de muitos é evidente. Fofoqueiros de plantão ?que nada sabiam? enfiam a viola no saco, e vão embora, sem assunto. O rosto da colunista está igual. ?O serviço? fora bem-feito! (*) É escritora.