Opinião
Horror sem limite - Editorial
O Brasil, estarrecido e horrorizado, sofre a cada notícia extraordinária que acrescenta novos números de terror, sangue e morte. Bandidos dão as cartas, assassinos comandam onda de anarquia mortal, e o poder público não tem idéia de como interromper o uso de telefones celulares dentro dos presídios. Uso democrático que, sem dúvida, é um dos principais e mais eficientes canais de comando dos generais do terror, operantes e resguardados nos presídios em ebulição. E o número de mortes continua a subir, sendo que as supostas baixas no lado dos assassinos organizados só têm sido registradas em função da capacidade de reação de parte dos policiais agredidos (alguns não tiveram nenhuma chance às emboscadas covardes). Em suma, mesmo aplaudindo a coragem dos agentes públicos que têm conseguido devolver o fogo ao inimigo, a posição do poder público tem sido meramente, temerariamente, defensiva. E com essa tática não será nunca possível reverter o jogo e o povo continuará sendo massacrado, e os desprotegidos agentes da segurança pública seguirão sendo trucidados. A cidadania está acuada pelo banditismo, e os poderes públicos estão imobilizados, com uma respeitável autoridade chegando ao desplante de declarar que ?a situação está sob controle?. Controle quem tem são os chefes de quadrilhas que, de suas celas, determinam quem deve viver, quem deve morrer, quantos ônibus devem ser queimados, quantas e quais ruas devem ser fechadas. Vivemos o horror da inversão dos valores da liberdade pública e dos direitos do cidadão. A cada dia penas abrandadas, atrasos em processos e o direito de assassinos de ?responder em liberdade? ? dentre outras coisas ? chocam o Brasil. Ao bandido tem sido dada a regalia de seguir dirigindo suas quadrilhas a partir do interior das celas. Ao cidadão, trasformado em alvo fácil, o que tem sido dado, além da desesperança?