Opinião
Ser gente no meio da gente
| DOM FERNANDO IÓRIO * Pessoa alguma vive somente para si. Na verdade, viver é conviver. É impossível conviver sozinho. Somos membros vivos da comunidade. Teremos todos de assumir alguma atividade, se de fato nos consideramos responsáveis pelos outros. Responsável é como se sente alguém quando procura ?ser gente no meio da gente?. Nada é mais importante como sentir os problemas de quantos nos circundam. Somos no dizer do Mestre dos Mestres - ?sal da terra? e ?luz do mundo?, agindo porque a vida tenha sabor e não se corrompa, no caminho da luz espancando as trevas. Costumava afirmar um agricultor: Eu descobri que não sou pessoa; eu sou um pedaço de pessoa. Pessoa total é a comunidade em que vivo. Carlos Mésters comenta: conheci certa nenuca que se perguntava: quem sou eu? De fato dera Nenuca a vida na ?clausura dos pobres?, nas favelas e cortiços de São Paulo e Recife. Ela vivera para as comunidades de miséria que considerava suas. Ora para alguém ser gente de verdade não significa coisa alguma ?ter? e ?poder?, senão ?ser? alguém em convívio com os outros. Ninguém é tão feliz se não fizer algo por alguém que ninguém possui em sua vida. Mil maneiras existem de se doar ao outro, de servir os carentes e necessitados. Há uma variedade sem conta de caminhos para servir ao próximo, desde quando todos somos convidados a servir uns aos outros. Não foi outro senão Fernando Pessoa que afirmou: ?Os caminhos da vida estão todos dentro de mim?. Na verdade, cada qual tem seu caminho, competindo-lhe medir a distância, determinar a direção e o fim do caminhar. Não é que cada qual tenha um caminho novo, senão um estilo novo de caminhar, ensinando-o a quantos desejam vivê-lo para a construção daquele mundo novo, bem humano e, por demais, desejado de que a humanidade carece. De maneira que devemos trabalhar servindo, já que a hora é nossa. Com efeito, todos somos grandes, quando a hora é nossa. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.