Opinião
Grito da Terra - Editorial
Trabalhadores rurais de todo o País saíram de seus estados para Brasília, como vêm fazendo há vários anos, participando, desta feita, da 12ª edição do Grito da Terra Brasil, na tentativa de conseguirem recursos da União para a reforma agrária. Além de assistência técnica, garantia de preço diferenciado para a agricultura familiar, já reclamadas inúmeras vezes, eles reforçam a luta por respostas objetivas e definitivas para as suas mais antigas e novas reivindicações. É mais uma batalha surgida no campo, onde a maioria das pessoas faz parte do segmento mais carente da população, principalmente no Norte e Nordeste do País, e depende exclusivamente da agricultura, que ainda é o setor de maior concentração do trabalho infantil no mundo (69% das crianças). Segundo um relatório divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), este número equivale a 130 milhões de meninas e meninos e quando as leis existem nessa área, elas são aplicadas de forma menos rigorosa do que em outras. O atendimento aos reclamos dessa gente não pode e não deve continuar acontecendo sempre aquém de suas expectativas, quando as formas de ações e apoio com vistas ao aproveitamento do capital humano, a partir da agricultura, são cada vez mais imprescindíveis para a solução dos piores problemas do País, como a fome, a miséria, o desemprego, o analfabetismo e os desafios assustadores e em crescimento representados pela criminalidade. A realização do novo Grito da Terra coincide com a discussão sobre o futuro do agronegócio no Brasil, em um seminário da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado. Resta esperar que, com essa coincidência de mobilizações e debates, trabalhadores produtores rurais possam comemorar, na mais perfeita harmonia, o tão falado desenvolvimento sustentável nas suas regiões.