loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O tom do discurso

Ouvir
Compartilhar

| ALOÍSIO ALVES * O show vai começar. Está armado o cenário para os milhões de espectadores brasileiros assistirem a mais um espetáculo. Não, não é a Copa do Mundo. É algo mais frenético no qual vale ter cara-de-pau, fazer promessas incongruentes do tipo ?emprego, casa e comida? para os excluídos, investimentos para a saúde, educação, saneamento básico e transporte, transformar Alagoas no maior pólo turístico do Nordeste. Reforma agrária, polícia bem remunerada, preparada para combater com rigor a violência urbana, sindicato do crime, combate ao tráfico de drogas. Respeito ao erário público, justa distribuição de renda, menos impostos e o fim da corrupção nos poderes da República. O tom do discurso da próxima campanha eleitoral, não vai mudar, será o mesmo que já nos deixou carecas de ouvir há décadas. A diferença está no privilégio da tecnologia atual, porque a imagem de ?suas excelências? chegará às casas dos mais abastados maquiada pela perfeição das magníficas telas de plasma ou LCD. Acrescente ao discurso, o tempero da agressão pessoal, impropérios, mentiras proferidas sem qualquer pudor para atingir a honradez do adversário. E se este adversário for estreante na fita e tiver um histórico de conduta pessoal e profissional ilibada, será igualmente alvo de bombardeio, porque, infelizmente, no conceito da baixa política, contra adversários não se contabiliza limites nem escrúpulos. Essa é a lei que rege a desesperada corrida pelo poder. As costuras que consolidam alianças são feitas à luz do dia como qualquer tipo de leilão. Até o capô do carro quebra o galho como balcão de negócio. Vale cueca, ceroula, meia, e daí?... Qualquer depósito serve para transportar as suadas economias de mensalões e mensalinhos, superfaturamento de ambulâncias. Foram quatro anos ?trabalhando? duro e poupando, justamente para a próxima eleição. Do alto do palanque ao picadeiro, no rádio ou na TV, os veteranos protagonistas do show encherão o peito se autoelogiando pelos cinco ou seis sacrificados mandatos legislando em defesa dos interesses dos seus eleitores de carteirinha. Isso é o que se pode chamar de eleitor fidelizado. O povo só não precisa saber como funciona a magia que engorda rápida e volumosamente contas bancárias; faz crescer patrimônio recheado de fazendas, mansões em balneários da moda, carrões importados blindados com vidros revestidos de película escura. Segundo o polêmico e crônico candidato Zé Muniz, quando passa um automóvel com essas características, é porque ?ali vai um deles...? Os calouros seguem aprendendo os caminhos das pedras, alguns já nascem em berço esplêndido, trazem consigo o valioso legado deixado pelos chefões. (*) É publicitário ([email protected]).

Relacionadas