Opinião
Lembrando Carlos Moliterno
| SOLANGE CHALITA * No dia 19 de maio de 1998, faleceu, na cidade de Maceió, o poeta Carlos Moliterno, uma das figuras mais representativas da literatura alagoana. Estimado e admirado por todos que o conheciam, era um homem afável, risonho, compreensivo, sensível, altamente inteligente, dotado de grande simplicidade, de forma que desde cedo se integrou aos grupos de intelectuais locais, ligando-se mais fortemente aos amigos da escola viçosense. Ninguém lhe pintou melhor o perfil psicológico, nem traçou etapas de sua história intelectual tão bem quanto Théo Brandão no Prefácio do livro Notas sobre poesia moderna em Alagoas. Negando-se a ?apadrinhar? criticamente esse ensaio, por não se sentir à vontade em escrever sobre história literária, o dublê de médico e folclorista optou em debruçar-se sobre algumas informações biográficas e a fazer comentários abalizados sobre a produção poética de Moliterno. Iniciou sua apresentação, ressaltando os primeiros passos do estudante Carlos, forçado a abandonar o Colégio Higino Belo para trabalhar, em razão da morte prematura do pai. Como a maior parte dos intelectuais alagoanos das primeiras décadas do século 20, sua convivência com a língua portuguesa intensificou-se ao exercer a função de revisor de jornal, tendo-se dedicado, durante toda a vida, à prática jornalística, seja no Jornal de Alagoas, seja na Gazeta de Alagoas, escrevendo editoriais, dirigindo cadernos literários, publicando críticas, crônicas e poemas de sua autoria, fazendo resenhas. Assim, aos poucos, foi crescendo a influência do intelectual de forma que, como disse Théo, a Souza Cruz, onde Carlos Moliterno trabalhou, ?transformou-se numa espécie de escritório jovem de Alagoas?. Em 1975, foi nomeado diretor de Departamento de Assuntos Culturais da Secretaria do Estado de Alagoas. Destacam-se ainda, em seu currículo, o exercício da vice-presidência do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e a presidência da Academia Alagoana de Letras, tendo dado um importante incentivo à literatura alagoana. Além de historiador, ensaísta e crítico literário da melhor estirpe, Moliterno escreveu dois livros de poemas afinados com a estética dos poetas brasileiros de 1945. Sua obra-prima, A ilha, reúne 59 sonetos em versos brancos, caracterizados por uma musicalidade de grande beleza. Ao relembrarmos a vida de Carlos Moliterno, não podemos esquecer o papel de Anilda Leão na caminhada do homem e do escritor. Mulher extraordinária, símbolo de coragem, inteligência, vocação polivalente, ela desempenhou, do ponto de vista artístico, uma multiplicidade de papéis que a consagraram no canto, na dança, no cinema, no teatro, na TV. Na literatura, é uma escritora combativa, poemas, crônicas, abordando quase sempre temática de cunho social. (*) É integrante da Academia Alagoana de Letras.