Opinião
N�meros da fome - Editorial
A FAO ? agência da Organização das Nações Unidas para a Agricultura ? acaba de alertar que o Brasil precisa de esforços adicionais nas medidas já em curso para erradicar a fome, justamente a primeira das oito metas do milênio estabelecidas pela ONU para serem alcançadas até 2025. O alerta foi feito anteontem, quando começaram a repercutir números do novo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicando, com base em dados de 2004, a existência de 72 milhões de brasileiros (34,8% da população) em situação de insegurança alimentar leve, moderada ou grave; ou seja, dois em cada cinco brasileiros não têm garantia de acesso à alimentação em quantidade, qualidade e regularidade suficientes. A pesquisa também constatou que a maioria dos domicílios com pessoas passando fome não foi beneficiada por programas sociais do governo. Falta comida em 3,3 milhões de domicílios, onde viviam 13,9 milhões de pessoas (6,5% dos brasileiros não teriam o que comer). Quase 60% dos habitantes do Nordeste sobrevivem sem garantia de alimentação suficiente e no Sudeste, a desigualdade social chega a superar a média registrada nos grandes centros. Novamente crianças e adolescentes são a parcela da população mais afetada por esse gravíssimo problema. E a região nordestina, das mais populosas do País (28% da população brasileira) segue se destacando em função de exibir os piores indicadores na área social. Esses e outros números ainda mais constrangedores devem ser revertidos antes do agravamento desse quadro (que tanto preocupa os organismos internacionais como a ONU) através de políticas públicas direcionadas para a diversificação, modernização e aumento da produção em todos os sentidos, da geração de emprego e renda no campo e nas cidades, além de outras formas indispensáveis de combate às desigualdades sociais.