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Atr�s do preju�zo

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| MARCOS DAVI MELO * No fim de semana passado, enquanto em São Paulo estourava a guerra nas ruas, na Barra de São Miguel, uma colega médica, que após uma semana de trabalho para ali se dirigia, tentando com o esposo se recuperar de uma dura semana de trabalho, era seqüestrada. Não nos enganemos, a situação que levou à guerra paulista, em seus preâmbulos, existe aqui. Daí, nas pessoas conscientes, a sensação de insegurança é generalizada. Enquanto, no dia seguinte, tínhamos um grande alívio com a liberação da colega seqüestrada, continuávamos angustiados com o nosso filho que faz residência em um grande hospital de São Paulo, que fica bem perto de uma das maiores delegacias de polícia da capital e, nestes tempos, viver perto de uma corporação da polícia, passou a ser um risco imenso. Daí, como todos os outros colegas de residência médica, passou o fim de semana entocado, comendo pizza delivery. Estando a dois dias no Rio de Janeiro para tratar de assuntos profissionais, de onde redijo esta matéria, em conversa com colegas, todos estão com medo que o PCC ative as suas relações no Rio e aqui também estoure um conflito semelhante. De tudo o que se discutiu até agora, algumas coisas, entre tantas outras, são difíceis de engolir: a resistência da OAB a vistoria dos advogados que levam celulares aos bandidos nos presídios e, portanto, são cúmplices; a ausência de bloqueios dos celulares nos presídios e a redução de recursos para a segurança pública. Mas, segundo os especialistas, o endurecimento das leis não é suficiente. Todavia, o que fica é que a insegurança pública é o retrato em branco e preto de um país que não deu certo. Enquanto faltam recursos para a segurança pública, eles são alocados em várias outras áreas onde os recursos públicos poderiam ser mais bem aproveitados. Segurança pública só pode ser exercida pelo poder público, mas existem várias outras atividades que podem ser exercidas pela iniciativa privada com mais eficiência e custo menor, como várias ações na saúde e mesmo na educação, cuja falta é alocada como raiz de todos os males. A ameaça está em todos os lugares e é para todos, não existe espaço para escamotear a verdade. Ou se revê com isenção o uso dos recursos públicos ou quem sabe até onde iremos? (*) É professor da Uncisal.

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