Opinião
Armas nucleares
| HUMBERTO MARTINS * A controvérsia que envolve, de um lado, Estados Unidos e principais nações da Europa - França, Inglaterra e Alemanha - e do outro o Irã, em torno do suposto desenvolvimento de armas nucleares pelo país persa, é oportunidade para uma avaliação desses 65 anos de convivência da humanidade com esse tipo de armamento, usado duas vezes, pelos norte-americanos, contra o Japão, em 1945, provocando a imediata rendição dos nipônicos. É importante mencionar que na própria origem das armas nucleares está uma memorável lição que deve ser mencionada sempre que possível: foram dois refugiados do nazismo, de origem judaica - o alemão Einstein e o italiano Fermi - os vultos mais importantes da liderança nuclear alcançada pelos Estados Unidos, que os abrigavam. Por uma ironia em que a história é farta, o mesmo personagem que escalou os píncaros do poder político e militar na Alemanha, ocupando quase que completamente a Europa - Hitler - não dava a mínima importância à energia atômica. As deformações do seu cérebro achavam que havia uma matemática alemã, uma química alemã e uma física alemã. Como os estudos sobre energia atômica eram desenvolvidos por judeus, o fanatismo fez com que Hitler os desprezasse, o que foi bom para a humanidade. A liderança norte-americana em armamentos nucleares, revelada ao mundo, pela primeira vez, em 1945, mantém-se até hoje. Liderança não apenas em produzir essas armas letais, como em transportá-las, através das mais diversas modalidades, e lançá-las em qualquer ponto do globo terrestre. Embora soviéticos, ingleses, franceses, chineses, paquistaneses e indianos também tenham armas atômicas. O que EUA e nações mais importantes da Europa Ocidental temem é que, proliferando e ficando em mãos de governantes irresponsáveis, as armas atômicas sejam empregadas novamente. Esse raciocínio é aceito pela quase totalidade das nações, sendo poucas as que conseguiram furar esse bloqueio. Soviéticos (antes da desintegração política da URSS), chineses, ingleses e franceses ingressaram no bloco dos países que têm armas atômicas por serem nações poderosas, contra as quais Washington nada pôde fazer. Paquistão e Índia são países de grande extensão territorial, alinhados com o Ocidente, mas como já estiveram duas vezes em guerra, representam um certo risco. A crise que envolve EUA, nações européias e Irã é agravada pelo fato do país dos aiatolás dispor de informações seguindo as quais o Estado de Israel também tem bombas atômicas. Mais um componente para complicar uma situação que mantém o mundo em sobressalto, justamente numa área em que o Velho Testamento prevê a ocorrência da ?batalha final? (Armagedon). (*) É desembargador do TJ-AL.