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Opinião

Ainda existe tempo

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| CARLOS BURITY * Na sexta-feira, dia 12 de maio tudo transcorria como um dia normal nas diversas instruções ministradas nos diversos quartéis da Polícia Militar do Estado de São Paulo e especificamente no meu caso, estávamos em instrução de salvamento em cavernas perto da divisa com o Paraná num total de 25 militares. O frio nas águas internas das cavernas nem um pouco lembrava o clima tropical e a brisa da Praia da Pajuçara, mas já era a sensação que teríamos nos nossos corações horas mais tarde! Voltávamos pela Fernão Dias em um ônibus com identificação num clima de vitória pela missão cumprida, mas sem sabermos dos acontecimentos e riscos que corríamos. Já no Quartel localizado a 800m dos presídios de Franco da Rocha e bastante cansado, passei a viver e ver de perto o clima da minha primeira guerra civil ou melhor, passei a ver a tristeza, a preocupação e o despertar do espírito de corpo dos militares de São Paulo; como em uma guerra, todos eram voluntários e ainda por cima a notícia de que o quartel teria recebido uma ligação em que avisava que uma granada seria jogada a qualquer momento. Chamei os dois tenentes alagoanos e tentei mantê-los juntos, dessa forma sentíamos mais segurança, eu sabia que no meu currículo a tragédia da violência tinha atingido minha família quando meu irmão foi seqüestrado e baleado no rosto no paraíso da águas! Tinha novamente a sensação de terror dentro de mim! Sábado e domingo? Um quartel com bombeiros fortemente armados, usando coletes e abordando suspeitos perto da entrada da instituição; dois caminhões parados de lado servindo como barricada e o pior; a tristeza da notícia de um bombeiro assassinado por um integrante de um tal ?partido? que tinha como objetivo chamar atenção! A semana transcorreu com novos comportamentos: educação física com bombeiros armados com pistolas, deslocamentos planejados com antecedência, mas a cabeça acima de tudo absorvendo técnicas e táticas de salvamento a serem passadas em breve aos bombeiros alagoanos e que ajudarão a proteger o bem mais valioso: a vida! Por aqui sabemos que nada acontece por acaso. Seqüestro relâmpago e rebeliões só víamos pela televisão. Jovens sem perspectivas acabam mudando os conceitos de moral e respeito ao próximo e nós somos vítimas desse processo que ajudamos inconscientemente a alimentar já a partir do nosso voto! Fica a certeza que segurança pública é feita por técnicos e não por políticos e cientistas que nunca tiveram a sensação de descer e subir favelas e bairros sem saber se voltarão para casa. (*) É engenheiro e capitão CBM-AL.

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