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Li��es de uma crise na Am�rica do Sul

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| JOSÉ MEDEIROS * Recebo e-mail de um amigo que realiza pós-graduação na Inglaterra; ele ficou impressionado com o noticiário tendencioso sobre a crise do gás entre a Petrobras e a Bolívia. Quem conta um conto aumenta um ponto, diz a voz popular. As manchetes que apareceram na imprensa inglesa deram a impressão de iminente expulsão da Petrobras daquele país andino. Não se pode encarar esse tema sob enfoque emocional, mesmo porque a Bolívia tem direito de legislar sobre suas jazidas e recursos naturais. Entretanto, reconheça-se que o tratamento dado pelo presidente boliviano ao Brasil foi irônico e intempestivo. Revendo as notícias da imprensa do sudeste e do sul sobre o assunto, o que mais chamou minha atenção foi a referência boliviana ao ?imperialismo brasileiro?; a Petrobras seria a representação desse imperialismo. Quando falamos em imperialismo, logo nos vêm à mente os tentáculos das multinacionais americanas espalhadas no mundo inteiro. O Brasil foi tratado como imperialista, o que é uma novidade sem precedentes. Lembro bem como a Petrobras fixou-se na Bolívia para construir um gasoduto para transportar gás daquele país para o Brasil. A iniciativa do projeto foi dos bolivianos. Os argumentos utilizados por eles, naquela época, foram de que isso geraria renda, diminuindo sofrimentos provocados pela pobreza, numa região de rico subsolo. O que preocupa em tudo isso é que nosso País não demonstra estar estudando diferentes soluções para enfrentar essa crise, ou outras que possivelmente virão. Não se pode ficar dependendo, eternamente, do gás boliviano. Há que se investir em nossos potenciais ainda insuficientemente explorados. O que vai acontecer no momento é fácil de prever: o Brasil absorverá o aumento do preço do gás boliviano, por mais extorsivo que seja, e após a eleição, como de costume, repassará aos consumidores. Em matéria de gás e de gasolina, o consumidor brasileiro fica sempre em dúvida: por que nas cidades bolivianas, que fazem fronteira com o Brasil, o litro de gasolina custa R$ 1,25; enquanto que nas cidades fronteiriças brasileiras, com esse país, o litro de gasolina custa R$ 2,80? Geralmente, esse tipo de crise atinge uma das partes mais sensíveis do corpo humano, que, na prática, é o bolso do consumidor. (*) É médico.

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