Opinião
A afronta do banditismo
| LYSETTE LYRA * Quais as origens do banditismo que abalou o Brasil, sobretudo o seu maior Estado, na semana passada? Em primeiro lugar, essa escolha, principalmente, por São Paulo nos cheira a comprometimento político, com a intenção de afetar a candidatura à presidência, de Geraldo Alckimin que, naturalmente, é o mais forte adversário de Lula nas próximas eleições. Depois vem o descaso do governo federal quanto ao espaço e à segurança nos presídios, onde existem criminosos do narcotráfico, cuja periculosidade, nunca deve ser esquecida. Nossas cadeias são insuficientes para o número de presos, são infectas e desumanas, além de haver um relaxamento irresponsável no policiamento das mesmas, causado pela corrupção ou pela própria estrutura penitenciária do País, que permite a formação de quadrilhas através da entrada de armas, de drogas e celulares no ambiente. A justiça é grande responsável por situações como essa crise, pela brandura e lentidão nos julgamentos, principalmente, dos crimes classificados como hediondos. Agora mesmo tem a intenção de soltar os piores marginais, depois de cinco anos de carceragem, para responder o processo em liberdade, isso tem cabimento? A falta de aparelhamentos adequados às polícias e a má remuneração dos militares, que expõem, perigosamente, suas vidas em benefício da tranqüilidade dos cidadãos, é outro sério motivo. Enquanto isso, outras classes, recebem salários exorbitantes e nem sempre têm o critério de honrá-los. As forças armadas são mal equipadas, usam armas obsoletas, seus aviões são ultrapassados, sua esquadra está desfalcada e os poucos navios tornaram-se verdadeiras sucatas. Como guardar um país que tem 7.367km de costa e 15.719km de fronteiras, com semelhante despreparo? Vivemos à mercê de criminosos, de contrabandistas, de invasores, sem que o nosso governo se preocupe, absolutamente, com isso. Nunca tem verbas disponíveis para tais propósitos, tão necessários ao bem-estar do país, mas elas existem para os mensalões, para os subornos, para as fraudes, para o desperdício. Nossa Constituição, que nunca foi perfeita, está superada, antiquada. O tempo passa, os imperativos sociais se modificam, será preciso adequar as leis às novas necessidades. O que aconteceu em São Paulo, em Mato Grosso e no Paraná vem mostrar a fragilidade e ineficácia de nossos governantes, sempre muito mais preocupados com a volta ao poder, na próxima eleição. Os cidadãos que os sustentam, às custas de escorchantes impostos, não são considerados. Grande parte dos eleitores no Brasil é mal informada, deixa-se envolver por demagogos astutos. Pense bem antes de dar seu voto, não coloque no poder um mal governante. (*) É escritora.