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A sele��o dos estrangeiros

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| LUIZ BARROSO FILHO * ?A seleção é a pátria de chuteiras!? Quando o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues fez essa assertiva, ainda não se falava em globalização, em CPI do Futebol, e todos os craques da seleção atuavam em times brasileiros. Este ano, a lista dos 23 jogadores convocados para disputar a Copa do Mundo da Alemanha apresenta 21 que atuam em países da Europa e apenas 2 jogam no Brasil. Indagado a esse respeito, o técnico Carlos Alberto Parreira declarou que daqui a mais algum tempo, 100% dos jogadores que se destacarem no Brasil irão atuar no exterior, e que isso decorre da nossa economia e do nosso poder financeiro que não resiste aos investimentos e ao poder de compra do futebol europeu. O treinador, no entanto, deixou de revelar que a exportação de jogadores, da forma como tem sido processada, contribui cada vez mais para o enriquecimento e aprimoramento do futebol europeu em detrimento do praticado no Brasil, que já se ressente do concurso de atletas com qualidades técnicas acima da média, conforme foi observado no último Campeonato Brasileiro da série A, quando o argentino Carlitos Tevez e o iugoslavo Petkovic foram considerados os melhores jogadores da competição. Com a debandada dos nossos atletas, iniciada depois da Copa de 1986, a crônica especializada passou a denominar de ?estrangeiro? o jogador vinculado à equipe de outro país, chamado para servir à seleção, porque anteriormente os convocados eram os que jogavam nos grandes times filiados à Confederação Brasileira de Futebol, haja vista o exemplo de Pelé que disputou quatro Copas do Mundo como jogador do Santos Futebol Clube. Já o habilidoso Robinho, também revelado no time da Vila Belmiro, precocemente, transferiu-se para o futebol europeu, mediante contrato milionário. Essa situação, embora ajude a manter o prestígio do País no cenário esportivo internacional e possibilite ao jogador a sua independência financeira, vem demonstrando que não se constitui um bom negócio para o nosso futebol, pois, enquanto alguns atletas são supervalorizados, os grandes clubes nacionais vivem atolados em dívidas, em conseqüência das negociatas envolvendo empresários e cartolas. O escritor e jornalista José Lins do Rêgo tinha toda razão quando disse: ?O conhecimento do Brasil passa pelo futebol?. Portanto, não é o bastante para o País ser um celeiro de craques tipo exportação, se o seu futebol não tem a estrutura e a conduta profissional dignas de um pentacampeão mundial. (*) É advogado e membro da Academia Maceioense de Letras.

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