loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Miasmas da desconstru��o nacional

Ouvir
Compartilhar

| SÉRGIO BARROSO * Sempre brilhante, o sociólogo holandês Norbert Elias (1897-1990), afirmou: um dos aspectos ?mais estranhos? no desenvolvimento da sociologia era espécie de contrabando teórico do curto prazo, ao invés da perspectiva de longa duração, no estudo do como e do por que sociedades tornaram-se o que são, ao longo dos séculos. Vesgos, ideólogos apátridas expressavam a mudança das teorias sociológicas dominantes, insinuara Elias (?Processos de formação de Estados nacionais?, 1970). Nosso economista mais admirado no mundo, o patriota Celso Furtado (1920-2004) considerava que o rápido crescimento da economia brasileira (1930-1970) tinha se apoiado, em boa medida, nas transferências inter-regionais de recursos e na concentração social da renda facilitada pela mobilidade geográfica populacional (?Brasil. A construção interrompida?, 1992). Para mestre Furtado, a partir do momento em que o motor do crescimento deixa de ser a formação do mercado interno, subordinando-se à economia internacional, os efeitos daquela sinergia inter-regional desaparecem. Angustiado, ali escrevera: num país em formação como o Brasil, o domínio dos interesses da grande empresa transnacional na lógica do ordenamento econômico poderia apontar ?para a inviabilização do país como projeto nacional?. Ora, a trilogia dos 8 anos de FHC (dívidas, desnacionalização e desemprego), aliada às taxas medíocres de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) puseram o Brasil na rota da decomposição social. O País completara então 20 anos de estagnação econômica. Em algumas das nossas principais metrópoles o desemprego juvenil (15 a 24 anos) ultrapassou a marca dos 40% do total de desempregados. Nem um idiota pode duvidar: o desemprego, em particular, fez explodir as desigualdades! Aliás, o Relatório Sobre a Situação Social, da ONU (26/8/2005) diz: ?A violência está cada vez mais ligada à desigualdade. É perigoso para a segurança e a paz nacional e internacional permitir que a desigualdade aumente?. E, apesar do crescimento econômico considerável em muitas regiões, ?o mundo é mais desigual agora do que há 10 anos?, declarou o insuspeitíssimo secretário-geral, Kofi Annan. Neste outono paulista de 2006, a história brasileira é a de uma montanha de cadáveres. Exércitos de deserdados são mão-de-obra barata de grandolas do narcotráfico. Traidores e trânsfugas, que lançaram o país na jogatina do capital financeiro: a palavra é vossa! (*) É médico.

Relacionadas