Opinião
Inunda��es
| Vinicius Maia Nobre * Presenciamos nos meados deste mês o início da estação da chuva. Um pouco atrasada, mas como sempre fazendo estragos em qualquer cidade que cresce sem planejamento, como a nossa Maceió. Em artigo publicado na imprensa local, dissemos certa vez: ?Uma bênção da natureza, a chuva se faz necessária para tudo, até para denunciar agressões à natureza. Os jardins e praças tornam-se mais floridos e verdes, o clima fica ameno, o ar torna-se mais limpo e se livra de muitos poluentes, enfim até o próprio sol quando aparece, dá aquele jeito de astro rei com seu brilho alegre.? Contudo para muitos moradores desta cidade é um Deus nos acuda, principalmente os que habitam nas chamadas zonas de risco ! As zonas nobres também padecem das inundações, como é o caso da cercania da Rua Miguel Palmeira. Desde nossos tempos de menino que em andanças pelo bairro, quando as chuvas chegavam, víamos com olhos admirados, muitos moradores atravessarem de canoa o trecho da Fernandes Lima que ora enfocamos. Os americanos ao tempo da 2ª Guerra, ao pavimentarem com uma única pista a ligação da Praça do Centenário à Base Aérea, nas imediações daquela região, elevaram o greide e colocaram bueiros como vasos comunicantes, pois as águas demoravam a se infiltrar, mas não impediam o trânsito de veículos. Embora os tabuleiros de Maceió possuam muitas encostas que permitem o fácil escoamento das precipitações tanto para o Vale do Reginaldo e seus córregos, como para a Lagoa Mundaú, existem muitas depressões que acumulam água de chuva a exemplo da região do Distrito Industrial, que até um hidro avião, em 1949, nela pousou, imaginando sua tripulação que fosse a nossa lagoa. Quem observa a Fernandes Lima, nota que no sentido Centro, a partir das imediações do 59º BIMTz é em declive até a esquina da Miguel Palmeira e daí em diante, em aclive, até a Rua Goiás. Para os lados, prolongamento da mesma rua, em aclive em direção ao Reginaldo como também para a encosta do Mutange. É uma área de recarga do nosso aqüífero que não tinha saída das águas não fosse uma obra muito reclamada há mais de 30 anos executada pela Sumov (Prefeitura) à época do prefeito Suruagy. O diâmetro do bueiro levou em consideração, nos parece, à quantidade de água que chegava àquela verdadeira lagoa e a altura a ser vencida nas escavações (menor para o lado do Reginaldo). Por muito tempo a situação foi controlada. (*) É engenheiro.