Opinião
Crise no campo - Editorial
O ministro da Agricultura admitiu, ontem, que o setor ?vive uma crise sem precedentes?. A fala da autoridade governamental (e empresário de grande nome na área do agronegócio) é, de certa forma, surpreendente porque vem logo depois dele próprio anunciar (semana passada), em nome do governo federal, um pacote que foi definido como ?o maior investimento já feito no setor?. A situação crítica da agricultura, particularmente do chamado ?agronegócio? saltou à vista da Nação já há algum tempo, desde que os bloqueios de rodovias e outros protestos radicais passaram a ocupar mais e mais espaços no noticiário. Os produtores protestam em função de várias questões ? dentre as quais a tragédia da dívida bancária acumulada (somada com o peso tributário, com a pressão da burocracia...). Segundo os empresários rurais, o débito com os bancos hoje atinge a cifra estratosférica de R$ 30 bilhões?. Não é nada fácil a realidade dos que apostaram no chamado ?desenvolvimento sustentável no campo?. O sonho teria acabado? Obviamente que não, pois são óbvias ululantes as potencialidades brasileiras para uma agricultura de escala, avançada tecnologicamente. Mas, para que nos campos do Brasil seja consolidado um processo de efetiva ocupação produtiva será preciso bem mais coisas que modismos de ocasião. O Brasil precisa de um projeto estratégico ? amplo, diversificado e ousado ? para o campo. O Brasil precisa de um projeto que vá além de rótulos como ?sustentável? e ?agronegócio?. Precisamos de um projeto que seja capaz de incluir milhões de pessoas hoje exiladas das chances reais de trabalharem dignamente na terra (como assalariados, parceiros e produtores). Sem isso, o sonho de um campo moderno e produtivo tende a virar pesadelo, por mais que os números de grãos exportados possam sugerir o contrário.