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O financiamento das elei��es e as ideologias pol�ticas

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| SÉRGIO COSTA * O Senado aprovou algumas regras, mas ainda estamos muito longe de resolver o problema maior das nossas campanhas eleitorais: o seu financiamento. A meu ver, a solução desse problema passa por um raciocínio conclusivo: ninguém retira dinheiro da sua produção ou poupança para outrem senão vislumbrar um retorno seguro e rentável. Trocando em miúdos, quem financia vai querer o dinheiro de volta (não importa se os meios irão subtrair direitos e/ou agravar o sofrimento do povo). E quem se elege na condição de financiado deve, se tiver juízo, pagar aos seus irascíveis credores. O financiamento pelo setor público, como querem propor, seria mais uma aberração democrática, pois acabaria por remanejar recursos de áreas nobres para queimá-los na aridez dos meandros políticos. Pior: obrigaria o eleitor-contribuinte financiar candidatos para os quais não depositaria o seu voto. Como são dissimulados os nossos legisladores políticos! Ora, todo mundo sabe que, em tese, o capitalista defende o livre mercado. Mas não seria surpresa se ele financiasse seus mais ferrenhos e mordazes críticos, desde que estejam bem nas pesquisas de opinião pública é óbvio! Quero dizer que, se o nosso discurso ideológico fosse verdadeiro, um capitalista não financiaria um comunista, e este não aceitaria ser financiado por aquele. Mas é notório que essas cenas de teatro acontecem por trás das cortinas. Foram elas que me fizeram pensar uma outra alternativa. Parti da realidade atual. Se as ideologias estão aí, não importa se verdadeiras ou falsas, entendo que campanhas deveriam ser financiadas apenas pelos partidos políticos. Claro! Se alguém ainda acredita que o neoliberalismo, por exemplo, seria capaz de realizar as transformações desejadas, que assine sua ficha de filiação e contribua mensalmente para eleger os representantes desse ideal. Os que acham que só o Partido Verde poderia consertar os erros que aí estão, idem. Ou seja, seria proibido contribuir sem se filiar. Haveríamos, evidentemente, de criar normas no sentido de fixar limites, bem como proibir doações subterrâneas para duas, três ou quatro ideologias ao mesmo tempo. Impossível, gritariam os mais céticos! É por isso que eu tenho uma profunda aversão à forma como essas questões são tratadas no nosso País. Mas acredito que os infortúnios acabarão instigando-nos a lutar por uma única ideologia política, qual seja: combater privilégios e exigir eficiência na aplicação dos recursos públicos. (*) É contador.

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